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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

BLOG HOJE - 11/03/2010 - 21:51

Este espaço é atulalizado a cada noticia relevante durante o dia...

Portanto entrando aqui você já identifica na hora o que aconteceu de importante hoje na área da ciência no Brasil; identificando em que pasta do Blog está a notícia para você acessá-la.

Redação - TBS
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Pasta: MEDICINA / SAÚDE


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21:47
11/03/2010

MINISTRO DEBATERÁ REPASSE DE VERBAS PARA SAÚDE DO ÍNDIO NA AMAZÔNIA

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21:54
11/03/2010

GRUPO DE TRABALHO SOBRE AMIANTO APRESENTA PARECER NA PRÓXIMA QUARTA

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21:41
11/03/2010

PROJETO CRIA PROGRAMA DE COMBATE AO CÂNCER INFANTIL


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Pasta: DIREITO AMBIENTAL


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21:25
11/03/2010

LICITAÇÕES DA CÂMARA DARÃO PRIORIDADE A CRITÉRIOS ECOLÓGICOS

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21:32
11/03/2010

COMISSÃO DA AMAZÔNIA VAI DISCUTIR CÓDIGOS FLORESTAL E AMBIENTAL

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21:29
11/03/2010

COMISSÃO OUVIRÁ PROJETISTA DE BARRAGEM QUE SE ROMPEU EM RONDÔNIA

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21:24
11/03/2010

PODER PÚBLICO PODE SER OBRIGADO A REFLORESTAR MARGENS DE RODOVIAS

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21:21
11/03/2010

NÚCLEO AMBIENTAL DA CÂMARA APRESENTARÁ METAS PARA O BIÊNIO

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21:15
11/03/2010

CÂMARA APROVA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS


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Pasta: MEDICINA / SAÚDE


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23:00
10/03/2010

CCJ APROVA PROJETO QUE PROÍBE FUMÓDROMOS EM TODO O PAÍS


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22:55
10/03/2010

EMPRESAS APOIAM CAMPANHA E VÃO DIVULGAR VACINAÇÃO CONTRA GRIPE A (H1N1)


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Pasta: DIREITO AMBIENTAL


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22:51
10/03/2010

COMISSÃO DISCUTIRÁ ÉTICA EM PESQUISAS ENVOLVENDO SERES HUMANOS

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22:48
10/03/2010

ALDO CRITICA AUSÊNCIA DE ECOLOGISTAS NO DEBATE DE LEIS AMBIENTAIS


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22:44
10/03/2010

RELATOR VAI PROPOR EM LEI O PAGAMENTO POR SERVIÇÕES AMBIENTAIS

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22:38
10/03/2010

SEGURIDADE APROVA PRIORIDADE NO SUS PARA VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA NO LAR

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22:30
10/10/2010

RELATOR VAI PROPOR EM LEI O PAGAMENTO POR SERVIÇÕS AMBIENTAIS

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22:24
10/03/2010

ONG LANÇA CAMPANHA EM DEFESA DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA


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Pasta: DIREITO AMBIENTAL

22:47
09/03/2010

NÚCLEO AMBIENTAL DA CÂMARA APRESENTARÁ METAS PARA O BIÊNIO

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22:43
09/03/2010

ONG LANÇA CAMPANHA EM DEFESA DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA


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Pasta: DIREITO AMBIENTAL

18:54
07/03/2010

PROJETO SUSTA CINCO RESOLUÇÕES DA ANS SOBRE PLANOS DE SAÚDE



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Pasta: DIREITO AMBIENTAL

14:18
02/03/2010

EMPRESAS PODEM SER OBRIGADAS A DAR DESTINO ADEQUADO A VIDROS FORA DE USO

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PROFISSIONAL

01/02/2010 12:36

CONTRIBUIÇÃO PARA CONSELHOS PROFISSIONAIS PODERÁ TER NOVA REGRA


Tramita na Câmara o Projeto de Lei 6463/09, do Executivo, que estabelece regras para contribuições a conselhos profissionais, quando não houver lei específica. Segundo o projeto, os conselhos poderão cobrar de seus inscritos anuidades, multas por violação ética e outras obrigações definidas em lei especial. Não haverá cobrança de taxa de inscrição no conselho.

De acordo com a proposta, as anuidades serão de até R$ 500 para cada profissional e, no caso de empresas, vão variar conforme o capital social. Profissionais recém formados terão desconto de 50%.

Reajustes pelo INPC
As anuidades deverão ser pagas até 1º de março de cada ano e, em caso de parcelamento, a primeira parcela também terá vencimento em 1º de março. Os valores serão reajustados de acordo com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Segundo o projeto, não haverá protesto de dívida nem comunicação aos órgãos de proteção ao crédito pelo não pagamento de anuidades. A anuidade deixará de ser cobrada do profissional inscrito após 40 anos de contribuição.

Atraso
O profissional ou a empresa que não pagar anuidade ou multa por mais de dois anos poderá ter a inscrição cancelada. Pagos os valores em atraso, no entanto, fica automaticamente regularizada a situação.

O projeto ainda estabelece que constará de legislação específica o percentual da arrecadação com anuidades e multas destinado ao conselho federal e aos regionais. A divisão de valores ocorrerá no momento da arrecadação ou, no máximo, até o fim de mês seguinte ao da arrecadação.

Cobrança indevida
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que assina o projeto de lei, afirma que a proposta é um pedido do Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, que querem atualizar a legislação sobre o assunto. Atualmente, a cobrança é feita com base na Lei 11.000/04, mas tem sido considerada indevida pelo Poder Judiciário.

"A Lei 11.000/04 permite que os conselhos fixem o valor de suas anuidades, porém o dispositivo legal vem sendo considerado inconstitucional por diversos magistrados", observa o ministro.

Por outro lado, a Lei 6.994/82, que é hoje considerada vigente pelo Poder Judiciário, fixa os valores com base no maior valor de referência (MVR), extinto em 1991, o que dificulta sua aplicação.

Tramitação
O projeto foi apensado ao PL 3507/08, do ex-deputado Tarcísio Zimmermann, que trata do mesmo assunto. Os textos tramitam em caráter conclusivo e serão analisados pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
PL-6463/2009


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/144908-CONTRIBUICAO-PARA-CONSELHOS-PROFISSIONAIS-PODERA-TER-NOVA-REGRA.html

G1, no The Brasilian Science

É IMPORTANTE SABER...

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22/01/10 - 09h07

ESTUDO APONTA O BRASIL COMO A 5ª ECONOMIA MUNDIAL EM 2030


PIB dos sete principais países emergentes superará o do G7 em 2020. Motor do fortalecimento do E7 é o rápido crescimento da China.
O Brasil será a quinta maior economia do mundo em 2030, pelos cálculos da consultoria PricewaterhouseCoopers, divulgados na quinta-feira (21), em Londres. Até lá, o país terá ultrapassado gigantes como Alemanha, Reino Unido e França.

Os prognósticos econômicos indicam ainda que até 2020 o Produto Interno Bruto (PIB) do grupo de sete maiores emergentes - chamado E-7 e formado por China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia - será maior do que o do G-7. Cinco das dez maiores economias, até 2030, serão países hoje tidos como emergentes.

O relatório leva em consideração o ritmo de crescimento e a valorização média das moedas de cada país para traçar perspectivas de médio e longo prazos. Para a PricewaterhouseCoopers, E-7 e G-7 terão pesos equivalentes por volta de 2019. A diferença de riquezas vem caindo - em 2000, o PIB dos sete países mais ricos do mundo era o dobro dos países hoje considerados emergentes pela consultoria - e, este ano, deve sofrer sua maior redução: 35%.

Após a ultrapassagem, a distância seguirá aumentando: em 2030, o E-7 será 30% mais rico que Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália (G-7).

"Em 2030, nossas projeções sugerem que o top 10 global do ranking de PIB terá a liderança da China, seguida dos Estados Unidos, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Alemanha, México, França e Reino Unido", afirmou o relatório, assinado pelo diretor de Macroeconomia da PwC, John Hawksworth.

Entre os reposicionamentos, três chamam mais atenção: a China, que ultrapassa os EUA, a Índia, superando o Japão, e o Brasil deixando para trás todos os gigantes europeus. Outra constatação do estudo é que a economia indiana crescerá mais rápido que a chinesa na década de 20. "A influência do E-7 já é enorme e esta análise mostra que a questão não é se o E-7 ultrapassará o G-7, mas quando", explicou Ian Powell, economista da PwC.

"O motor do fortalecimento do E7 é o rápido crescimento da China. Apesar de esperarmos que este crescimento se desacelere progressivamente nos próximos 20 anos, a China provavelmente destronará os Estados Unidos e ocupará o lugar de primeira economia mundial por volta de 2020", explica o estudo da PwC.

A distância entre o G7 e o E7 se reduzirá a 35% este anos e desaparecerá totalmente no final da década, segundo os cálculos da consultora.

Com informações da Agência Estado e da France Presse

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1458606-9356,00-ESTUDO+APONTA+O+BRASIL+COMO+A+ECONOMIA+MUNDIAL+EM.html?id=newsletter

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

MEIO AMBIENTE / BIOLOGIA

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21:27
27/02/2010

BRASIL É O 2º PRODUTOR DE TRANSGÊNICOS


O Brasil ultrapassou a Argentina e se tornou o segundo maior produtor mundial de transgênicos, só atrás dos Estados Unidos. Em 2009, o país cultivou 21,4 milhões de hectares de grãos geneticamente modificados, um crescimento de 35,4% e de 5,6 milhões de hectares em área plantada em relação a 2008.

É a maior expansão entre os 25 países produtores de transgênicos, aponta o ranking anual do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (23/2).

O crescimento da lavoura de transgênicos foi encabeçado pelo milho Bt (resistente a insetos), cujo cultivo pelos agricultores teve início em 2008. No ano passado, o Brasil plantou 5 milhões de hectares do milho geneticamente modificado, sendo que a expansão da área cultivada foi de 3,7 milhões de hectares ? 400% a mais que em 2008.
"O índice de adoção do milho transgênico por parte dos agricultores foi de 30%, e deve continuar crescendo ao longo da próxima safra", diz Alda Lerayer, diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), entidade que reúne pesquisadores e empresas do setor de biotecnologia. Alda estima que até 2011 a área plantada com milho geneticamente modificado deve representar entre 60% e 70% da área total cultivada de milho no país.

"Os agricultores estão aderindo rapidamente ao milho transgênico em razão de fatores como redução de custos e melhoria na qualidade dos grãos. O milho transgênico permite uma economia de até R$ 300 por hectare, em relação ao convencional", diz Alda.

Além do milho, o país cultivou no ano passado 16,2 milhões de hectares de soja geneticamente modificada e 145 mil hectares de algodão com essas características. Juntas, as três lavouras representam 16% dos 134 milhões de hectares cultivados com transgênicos em todo o mundo. As sementes transgênicas já são adotadas pelos produtores em 12 Estados brasileiros. No restante do mundo, os EUA seguem como principal produtor de transgênicos, com 64 milhões de hectares.

Controvérsia

A expansão da área plantada de grãos geneticamente modificados é vista com desconfiança por ambientalistas, que questionam o fato de o governo brasileiro não possuir informações sobre a área plantada com sementes transgênicas. "Não há dados oficiais sobre o total de áreas cultivadas com transgênicos no Brasil. O ranking da ISAAA gera suspeitas, pois a entidade é financiada pelas empresas de biotecnologia", afirma Rafael Cruz, coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace.

Segundo Cruz, ao mesmo tempo que a área de transgênicos cresce em culturas como o milho, há produtores de soja que estão voltando ao plantio do grão convencional, seguindo uma tendência já verificada nos países europeus. O próprio relatório da ISAAA aponta que o cultivo de transgênicos na Europa caiu de 107,7 mil hectares em 2008 para 94,7 mil hectares em 2009.
Fonte: Andrea Vialli para O Estado de SP, 24/2


Fonte: http://www.crbio01.org.br/cms/#inicio



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14:55
03/02/2010

DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA CAI 72% NOS MESES DE OUTUBRO E NOVEMBRO DE 2009


As quedas sucessivas nas taxas de desmatamento levaram o ministro Carlos Minc a prever que o Brasil poderá apresentar uma redução em 2020 de mais de 95% na área desmatada em relação à década anterior batendo a meta do governo, que é de 80%
Carlos Américo

Dados do Deter divulgados nesta terça-feira (2/2) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam uma queda acumulada no desmatamento de 72% nos meses de outubro e novembro de 2009, em relação ao mesmo período do ano anterior. Pelo sistema de monitoramento por satélite, que mede a área desmatada na Amazônia em tempo real, em outubro o desmatamento foi de 175 km² e, em novembro, 72km².

As quedas sucessivas nas taxas de desmatamento levaram o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante coletiva de imprensa, a prever que o Brasil poderá apresentar uma redução em 2020 de mais de 95% na área desmatada em relação à década anterior batendo a meta do governo que é de 80%, de acordo com o Plano Nacional de Mudanças Climáticas aprovado pelo presidente Lula.

De acordo com Minc, o desmatamento da Amazônia está sob controle. Para ele, o sinal disso é que os números registrados nesses dois meses representam "uma queda expressiva em cima do menor desmatamento da história e em um momento de franca recuperação da economia", explicou. Na última avaliação do sistema Prodes, que registra o desmatamento no período de um ano, entre agosto de 2008 e julho de 2009 foi detectado o menor desmatamento dos últimos 21 anos.

A cobertura de nuvem em outubro foi de 23%, quatro por cento a menos que em 2008, e em novembro foi registrada a presença da cobertura de nuvens em 51% da Amazônia, 12% a menos que no mesmo mês do ano anterior. Segundo Inpe, a intensidade de nuvens na região amazônica durante dezembro não permitiu a observação por satélites no período.

No mês de outubro, o Pará foi o estado com maior área desmatada (67km²), seguido de Mato Grosso (41km²), Amazonas (32km²) e Rondônia (14km²). Em novembro, o Pará continuou em primeiro, com 40 km², seguido de Maranhão (18km²), Mato Grosso (8km²) e Rondônia (2km²).

Para o ministro, a queda no desmatamento reflete, em grande parte, o resultado das ações coordenadas da Comissão Interministerial de Combate ao Crime e Infrações Ambientais (Ciccia), que com ações de comando e controle apreendeu bois piratas, embargou propriedades e intensificou as fiscalizações.

Ele explicou que os satélites do Inpe e o sistema japonês Alos, que consegue ver através das nuvens, permitiram que fiscais atuassem em áreas com desmatamento em fase inicial. Como exemplo, Minc contou o caso do município de Apuí, no Amazonas. No mês de outubro foram registrados 32km² de desmatamento no estado. Com a área desmatada identificada pelos satélites, a equipe da Ciccia pode atuar prontamente. O resultado foi desmatamento zero no mês de novembro.

Para o ministro, agora é o momento de intensificar as ações que levam alternativas sustentáveis à população que vive na Amazônia. Ele citou o Mutirão Arco Verde, que leva piscicultura, manejo florestal comunitário, extrativismo; e o Fundo Amazônia, que financiará projetos sustentáveis. "Com isso a gente quer mostrar que é possível a população viver com dignidade na Amazônia sem destruir o bioma, mantendo a floresta em pé", destacou.

No final da coletiva, Minc mandou um recado para aqueles que desmatam a floresta. "Tremei poluidores, vai acabar a invisibilidade. Antes os satélites ficavam cegos durante cinco meses no ano por causa das chuvas. Agora, combinando o Inpe com o satélite japonês, vamos ver e combater o crime ambiental durante todo o ano", finalizou.

ASCOM


Fonte: http://www.meioambiente.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=5535



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14:47
o3/02/2010

AGÊNCIA NACIONAL DA ÁGUAS RECEBE INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO ANA 2010
inscrições vão até maio.


"Água: o Desafio do Desenvolvimento Sustentável" é o tema da terceira edição da premiação, que tem sete categorias em disputa
Em sua terceira edição, a premiação bienal tem o objetivo de reconhecer iniciativas de sete categorias - governo, empresas, organizações não governamentais, pesquisa e inovação tecnológica, organismos de bacia, ensino e imprensa - que se destaquem pela excelência de sua contribuição para a gestão e o uso sustentável dos recursos hídricos do país.
Além disso, as ações devem estimular o combate à poluição e ao desperdício e apontar caminhos para assegurar água de boa qualidade e em quantidade suficiente para o desenvolvimento e a qualidade de vida das atuais e futuras gerações. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 31 de maio de 2010.
Informações no site www.ana.gov.br/premio ou pelo fone (61) 2109-5412.
Fonte: Assessoria de Comunicação da ANA




Fonte: http://www.crbio01.org.br/cms/#inicio




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01/02/2010 - 15:15

VÍDEO AEDES AEGYPTI E AEDES ALBOPICTU - UMA AMEAÇA AOS TRÓPICOS Filme premiado da Fiocruz retrata o ciclo de vida dos vetores da dengue e da febre amarela

O documentário Aedes aegypti e Aedes albopictus - Uma Ameaça aos Trópicos retrata o ciclo de vida dos vetores da dengue e da febre amarela. Foi feito pelo Setor de Produção e Tratamento de Imagem do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz) e dirigido por Genilton Vieira. O vídeo aborda desde a dispersão dos insetos pelo mundo até suas características morfológicas, hábitos alimentares, reprodução e o ambiente onde vivem. Lançado no ano passado, o documentário venceu em novembro o 7º Festival Internacional Cine Médico e Científico Videomed de Córdoba 2009, na categoria Educação para Saúde, e ganhou a quarta edição do Festival Internacional Videociencia 2009, realizado em Havana, Cuba. Para facilitar sua visualização na internet, o filme foi dividido em duas partes. A reprodução da segunda parte se inicia automaticamente após o término da primeira. Aedes aegypti e Aedes albopictus - Uma Ameaça aos Trópicos foi gentilmente cedido a Pesquisa FAPESP pela Fiocruz.

Fonte: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=6170&bd=2&pg=1&lg=



MOSQUITO DA DENGUE - parte 1


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MOSQUITO DA DENGUE - parte 2

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ANO DA BIODIVERSIDADE TEM INÍCIO 7/1/2010
Por Fabio Reynol Agência FAPESP –

A ocupação desordenada de áreas naturais, a exploração predatória de recursos da natureza e a poluição são algumas ações humanas que têm trazido sérias consequências, levando o planeta a perder cada vez mais espécies animais e vegetais. Para chamar a atenção ao problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. Um dos eventos que abrirá oficialmente o programa será realizado em Curitiba, nesta sexta-feira (8/1). Estarão presentes autoridades governamentais do Brasil e do exterior, representantes da ONU e pesquisadores. O Programa Biota-FAPESP será representado pelo professor Roberto Gomes de Sousa Berlinck, do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo. “A natureza é uma rede extremamente intrincada que precisa ser mantida para a vida existir.
Porém, essa harmonia tem sido cada vez mais ameaçada”, disse Berlinck sobre a importância da coexistência das espécies. De acordo com levantamentos da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD), órgão da ONU que trata do problema, a taxa de perda de espécies chega a cem vezes à da extinção natural e vem crescendo exponencialmente. Pensando em pelo menos diminuir esse ritmo, em 2002 a Conferência das Partes (COP) da CBD propôs uma série de metas a serem alcançadas até 2010 e obteve o comprometimento de vários países. Nos moldes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, fez um balanço dos compromissos assumidos no Protocolo de Kyoto, a COP da biodiversidade tem um encontro marcado para outubro deste ano, na cidade japonesa de Nagoya, a fim de avaliar os resultados das ações assumidas em 2002 para preservar a biodiversidade.
Como a reunião de Copenhague, a de Nagoya deverá ser igualmente frustrante. É o que pensa Berlinck, para quem a natureza tem dado sinais de que o problema continua crescendo. “A morte de recifes de corais no mundo todo e o desaparecimento das abelhas na América do Norte são apenas duas das consequências da destruição de áreas nativas”, disse. Carlos Alfredo Joly, coordenador geral do Biota-FAPESP e professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, concorda com o pessimismo. “Precisamos este ano estipular metas mais confiáveis e usar indicadores mais mensuráveis”, disse, ressaltando que considera os indicadores escolhidos em 2002 um dos pontos fracos do acordo.
Natureza desconhecida Joly também chama a atenção para a importância das pesquisas de levantamento de dados como as feitas no Biota-FAPESP, que visam à caracterização, conservação e ao uso sustentável da biodiversidade. “Como saber quantas espécies desapareceram se ainda estamos fazendo os inventários?”, disse. Em dez anos, os pesquisadores do Biota-FAPESP, que tem como foco o Estado de São Paulo, catalogaram cerca de 2 mil novas espécies. Mas, para Joly, é fundamental que programas como esse sejam implantados em outras regiões do Brasil. “Não sabemos quase nada sobre o Brasil, a última lista oficial da flora brasileira é de 1908. Há somente levantamentos regionais”, disse.
Joly destaca a necessidade de que sejam conduzidos inventários como o das plantas que produzem flores (fanerógamas) na flora paulista, que conta com o apoio da FAPESP e teve o seu sexto volume (lançado recentemente). Justamente por ignorar os números exatos, Joly calcula que as estimativas da CBD sobre o desaparecimento de espécies estejam subestimadas. Atualmente, o órgão faz projeções a partir do desaparecimento de hábitats. Para cada unidade de área degradada, estima-se um determinado decréscimo das espécies que nela habitavam. No entanto, sem um levantamento taxonômico adequado não há como saber com exatidão o tamanho das perdas da biodiversidade. Muitas espécies desaparecem sem ao menos serem conhecidas. Diversidade genética A sobrevivência das espécies também passa pela diversidade genética, a qual deve ser considerada nos projetos de conservação, segundo os coordenadores do Biota-FAPESP.
Indivíduos de uma mesma espécie que possuem pouca variação genética podem ser suscetíveis às mesmas doenças e acabar rapidamente dizimados. “O mesmo ocorre quando vamos fazer um reflorestamento. Se não considerarmos as diversidades genéticas e não reintroduzirmos todas as espécies envolvidas, a floresta pode morrer depois de uma década por doença ou mesmo pela ausência de um animal polinizador”, explicou Joly. Para trabalhar também com a diversidade dos genes, o Programa Biota-FAPESP deverá aumentar o uso de ferramentas de biologia molecular. “Os felinos selvagens que hoje habitam canaviais e fazendas são geneticamente iguais aos seus ancestrais que viviam nas matas nativas de São Paulo?”, questiona Joly. Segundo ele, responder a essa pergunta ajudará a preservar esses animais, o que ressalta a importância da biologia molecular para a biodiversidade. Berlinck aponta que desconhecer a natureza pode custar caro.
“O deslizamento de encostas neste início de ano é uma consequência do desconhecimento do que pode e do que não pode ser feito com a natureza”, disse. Segundo ele, preservar as diversas espécies é uma forma de manter e de garantir qualidade de vida também para as gerações futuras. “No entanto, é preciso que populações e governos conheçam o decréscimo crônico da biodiversidade e tomem iniciativas”, disse. É isso que a ONU e os cientistas esperam de 2010. Biota-FAPESP em 2010 No Ano Internacional da Biodiversidade, o Biota-FAPESP estará envolvido de diversas outras formas, tanto no Brasil como no exterior. No dia 14 de janeiro, Joly representará o programa no evento nos 350 anos da Royal Society Britânica, no Reino Unido. Na celebração, o professor da Unicamp participará como debatedor em discussões sobre biodiversidade e no espaço reservado para pôsteres. No período de 22 a 25 de fevereiro, o Biota-FAPESP participará da reunião do Earth Observations Biodiversity Observation Network (Geo Bon), nos Estados Unidos.
No mesmo mês, nos dias 25 e 26, o programa realizará, na sede da FAPESP, em São Paulo, o Workshop International on Metabolomics in the Context of Systems Biology: A Rational Approach to Search for Lead Molecules from Nature. No dia 22 de maio, para comemorar o Dia Internacional da Biodiversidade, o Biota-FAPESP realizará um evento com foco no Third Global Biodiversity Outlook, que terá a participação do professor Thomas Lovejoy. Lovejoy, presidente do Centro Heiz para Ciência, Economia e Meio Ambiente e consultor chefe para biodiversidade do Banco Mundial, foi quem introduziu o termo diversidade biológica na comunidade científica em 1980. Em outubro, o Biota-FAPESP participará da COP10, em Nagoya, em dezembro, sediará um workshop de três dias para marcar o fim do Ano Internacional da Biodiversidade e o início do Ano Internacional das Florestas (2011). • Ano Internacional da Biodiversidade: www.cbd.int/2010 • Biota-FAPESP: www.biota-fapesp.net

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11591/especiais/ano-da-biodiversidade-tem-inicio.htm

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PESQUISAS

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11:25
17/02/2010

CENTRO AVANÇADO
Laboratório em Campinas vai investir em gargalos da pesquisa do álcool de celulose


Edição Impressa 168
Fevereiro 2010


Foram inauguradas em Campinas (SP), no dia 22 de janeiro, as instalações do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), um centro de pesquisa voltado para o desenvolvimento do etanol de segunda geração, aquele produzido a partir da celulose. O laboratório foi concebido em 2007 e já contou com R$ 69 milhões de investimentos do governo federal. Algumas pesquisas em andamento têm apoio da FAPESP, num montante de R$ 2 milhões, segundo Marco Aurélio Pinheiro Lima, diretor do CTBE. Além de desenvolver projetos de pesquisa relacionados a todas as etapas de produção do etanol, o centro tem a ambição de oferecer uma plataforma que possa ser utilizada por pesquisadores de todos os lugares do Brasil, e também da América Latina, em moldes semelhantes aos do uso das instalações do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). O LNLS, o CTBE e o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) dividem o mesmo campus em Campinas e são coordenados por uma instância que acaba de ser criada pelo governo federal, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Desafios - Segundo o diretor Marco Aurélio Lima, a ideia de criar o laboratório surgiu de um estudo que levantou os desafios da produção brasileira de etanol para os próximos 15 anos. Uma das metas era responder o que o país precisaria fazer para produzir etanol capaz de substituir 10% da gasolina consumida no planeta no ano de 2025. “Muitos dos gargalos identificados demandam investimentos em ciência para resolvê-los”, diz Lima. O centro firmou acordos de cooperação com o Imperial College, da Inglaterra, e a Universidade Lund, da Suécia, com os quais desenvolverá pesquisas conjuntas. Também foi celebrado um acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em torno de estudos no campo da sustentabilidade da cultura da cana.

Presente à inauguração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância do CTBE para que o Brasil dê um novo salto tecnológico. “Espero que este laboratório possa utilizar todo o seu potencial para que a gente possa transformar o etanol no combustível mais utilizado do mundo”, disse. Lula lamentou o aumento no preço do etanol combustível e criticou os usineiros que reduziram a produção de álcool para fabricar mais açúcar. “Se a gente passar para o mundo a ideia de que não estamos dando conta sequer do nosso mercado interno, nós não iremos levar o álcool para vender no mundo inteiro”, afirmou.

Para o governador de São Paulo, José Serra, o centro será um espaço propício para colaboração entre os governos federal e estadual. “Para nós, a criação do CTBE é uma notícia grata e se soma ao esforço de pesquisa feito no estado no campo da bioenergia”, disse Serra. “Na prática, a integração já existe. Todos os três diretores do centro são pesquisadores de universidades estaduais paulistas. Um é pesquisador da USP e os outros dois da Unicamp”, afirmou. Serra citou a criação do Centro Paulista de Pesquisa em Bioenergia, no final de 2009, que irá integrar os pesquisadores das três universidades e contratar novos pesquisadores em temas de fronteira, no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen).

Segundo o diretor científico do CTBE, Marcos Buckeridge, a abrangência dos trabalhos do novo centro coincide com a do Bioen, que deverá contribuir com o laboratório e também se beneficiar da sua infraestrutura. “Está em formação um sistema brasileiro de bioenergia que reunirá os trabalhos de uma elite de especialistas espalhados pelo país”, anuncia Buckeridge, que também dirige o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol e é membro da coordenação do Bioen.


FONTE: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4049&bd=1&pg=1&lg=



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10:58
17/02/2010

AUTOFAGIA PARA A SOBREVIVÊNCIA
A manipulação da autodigestão celular inspira novas estratégias para combater doenças


Edição Impressa 168
Fevereiro 2010


Somos todos autofágicos – e isso é bom. A todo momento nossas células se digerem e se renovam, desfazendo e reaproveitando proteínas, por meio de um mecanismo biológico chamado autofagia. Vista antes apenas como um processo de morte celular, essa forma de autodestruição seletiva de componentes celulares mostra-se agora como um artifício de sobrevivência dos organismos – só quando não há mais conserto possível é que as células se apagam. Como aparentemente pode ser acelerada ou retardada, a autofagia tornou-se uma estratégia nova para combater doenças e prolongar a vida das células, cujo interior deve guardar tanto movimento quanto os quadros do artista plástico Jackson Pollock.

De imediato, a autofagia está abrindo perspectivas de aplicações novas para velhos medicamentos. Por exemplo, o lítio, usado para tratar pessoas com transtorno bipolar de humor, marcado por saltos repentinos da euforia à depressão profunda, pode ser útil para deter o mal de Alzheimer, uma forma de degeneração dos neurônios que tende a se agravar com o envelhecimento. A cloroquina, além de aplacar a malária, pode ajudar a combater tumores. A rapamicina, antibiótico usado para evitar a rejeição de órgãos transplantados, prolongou a longevidade de um grupo de camundongos, em comparação com outro grupo, que seguiu o curso normal do envelhecimento.

“Estabelecer a segurança de usos e acertar as dosagens de novas aplicações de medicamentos já aprovados é bem mais fácil do que começar tudo do zero”, argumenta Soraya Soubhi Smaili, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à frente de um dos poucos grupos de pesquisa nessa área no país. Cláudia Bincoletto, também professora da Unifesp e pesquisadora da equipe de Soraya, mostrando por que essa estratégia de busca de novos remédios poderia ser conveniente para países de recursos financeiros limitados como o Brasil, acrescenta: “Drogas novas são muito mais caras que as mais antigas”.

Também há espaço para a pesquisa de remédios novos. Na Unifesp, Cláudia estuda os efeitos promissores de compostos derivados do elemento químico paládio sobre a autofagia como forma de combater tumores. Ela tem verificado que a possibilidade de regular a autofagia por meio de compostos químicos pode ser um caminho para aumentar a eficiência de compostos antitumorais, diminuindo a dosagem e os efeitos indesejados sobre outras células.

Em um estudo recém-concluído na Universidade de São Paulo (USP), Renato Massaro, orientado por Silvya Maria-Engler, testou um composto extraído de raízes e folhas de um arbusto da Mata Atlântica, a pariparoba, contra uma linhagem de células humanas de tumor de cérebro que cresciam em um meio de cultura apropriado, mantido em laboratório. Os resultados que ele colheu indicaram que esse composto, o 4-nerolidilcatecol ou 4-NC, pode estimular a autofagia nesse tipo de tumor, chamado glioma, e acionar os caminhos bioquímicos que levam não só à reciclagem, mas também à morte celular. Os gliomas se originam das chamadas células glias, muito mais numerosas no cérebro que os neurônios.

Massaro observou que o 4-NC também reduzia a capacidade de as células tumorais invadirem o espaço das células sadias. Era um bom sinal. O problema é que outros grupos de pesquisa já haviam indicado que as células tumorais podem adquirir resistência aos estímulos que induzem à morte celular. Uma das características típicas da célula tumoral é justamente a capacidade de escapar da morte celular geneticamente programada.

Como a apoptose e a autofagia se relacionam, uma estimulando ou freando a outra, Massaro adotou a estratégia inversa: acrescentou um composto que bloqueia a autofagia, o 3-metil-adenina ou 3-MA, à cultura de células tumorais humanas. O 3-MA ampliou o efeito do 4-NC e a morte dos tumores aumentou 30%, provavelmente estimulando outro mecanismo de morte celular, em comparação com o grupo de células que receberam apenas o 4-NC. Na Unifesp, com outros compostos, Cláudia Bincoletto chegou a resultados semelhantes, que indicam que a autofagia não induz à morte, mas à sobrevivência das células – portanto, quando inibida, compostos antitumorais tornam-se mais efetivos. “Essa tem sido uma estratégia defendida por muitos grupos em busca de novos tratamentos contra tumores”, comenta Soraya.

“Agora nosso desafio é encontrar a dosagem que elimine apenas as células tumorais, sem lesar as normais”, diz Silvya. Segundo ela, alterar os níveis normais de autofagia em células saudáveis poderia gerar desequilíbrios nos processos genéticos ou respostas inflamatórias indesejadas. A equipe da USP havia indicado em 2008 que o 4-NC pode estimular a apoptose de células de tumor de pele ou melanoma mantidas em cultura de células.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a equipe de Guido Lenz tem estudado os efeitos do resveratrol, composto natural encontrado na casca de uva, frutas ver-melhas e amendoim, sobre a vida e a morte das células. Sob sua orientação, Eduardo Chiela comparou os efeitos de resveratrol e da temozolomida, um dos principais medicamentos usados contra gliomas que, já se sabia, pode induzir à morte por autofagia. O estudo, em fase final de redação, indicou que o ingrediente da casca de uva (principalmente as escuras) estimula os dois mecanismos de morte celular, a autofagia e a apoptose, em culturas de células humanas tumorais.

Em um estudo anterior, Lauren Zamin, Guido Lenz e outros pesquisadores da UFRGS avaliaram os efeitos do resveratrol e da quercetina, outro componente da uva e de outras frutas: a casca de uva contém cerca de 50 a 100 microgramas por grama de resveratrol e 40 de quercetina; o vinho tinto, cerca de 7 a 13 de resveratrol e 7,4 de quercetina. Uma combinação das duas substâncias fez células de glioma de ratos entrarem em senescência, processo de envelhecimento irreversível que pode culminar em autofagia e do qual as células normais se valem como forma de evitar que se tornem cancerosas. Sob o efeito dessas duas substâncias, as células tumorais se agigantaram e depois se romperam.

Os testes prosseguem em animais e reforçam o papel duplo do resveratrol, que, de modo inverso, apresenta um efeito antienvelhecimento em células saudáveis. “O resveratrol parece perceber quando uma célula é saudável ou tumoral”, observa Lenz. “Não será fácil, mas temos muito interesse em prosseguir a pesquisa, à medida que os resultados em ações sejam positivos, rumo a aplicações em seres humanos.” Outros estudos já haviam descrito o resveratrol como um composto capaz de deter outros tipos de tumores, estimular a autofagia e deter o envelhecimento.

“A autofagia representa um enfoque promissor para tratar melanomas (cânceres de pele)”, comentou Damià Tormo, pesquisador do Centro Espanhol de Pesquisa sobre Câncer, em Madri, em uma apresentação em janeiro na USP. Ele coordenou a construção de uma estrutura sintética de RNA (ácido ribonucleico) que aciona proteínas específicas e promove autofagia, como descrito em um artigo de 2009 na revista Cancer Cell. Tormo trabalha também em sua empresa nascente, a BiOnco Tech, para levar adiante o desenvolvimento dessa molécula, que se mostrou eficaz para deter o crescimento de tumores de pele, que com frequência se tornam resistentes a medicamentos, nos primeiros experimentos realizados em cultura de células e em camundongos geneticamente modificados.

Mesmo com novas substâncias com efeitos promissores e aparentemente de baixa toxicidade, não será fácil prosseguir. Em primeiro lugar, por causa das dificuldades para desenvolver novos medicamentos no Brasil. Em segundo lugar, por conta do próprio papel – igualmente duplo – da autofagia, que ajuda a sobreviver ou a eliminar tan--to as células normais quanto as tumorais. Em vários estudos, observa Guido Kroe-mer, pesquisador do Ins-tituto Gustaf Rouassy de Paris, mostrou-se que a autofagia pode ter funções diferentes, de acordo com o tipo de célu-la. Em neurônios, células do coração e ou--tros tipos de células que se reproduzem normalmente, esse mecanismo poderia ajudar na limpeza, eliminando resíduos, além de preparar a célula para a morte por apoptose. Em células que se multiplicam de modo descontrolado – ou seja, com potencial para formar tumores –, a autofagia poderia favorecer a sobrevivência e, portanto, a eventual resistência a compostos ou estímulos externos usados contra elas.

Reconhecida nos anos 1970 por Daniel Klionsky, pesquisador da Universidade de Michigan, Estados Unidos, a autofagia passou quase três décadas vista apenas como uma forma, inicialmente sem muita importância, de a célula se livrar de si mesma. Por essa razão, foi chamada de morte celular programada tipo 2 para diferenciar da apoptose, ou morte tipo 1, muito mais estudada. “Pode-se dizer que a autofagia antecede a morte celular ou que é cruzada à morte celular, mas hoje não é mais correto afirmarmos que a autofagia seja um tipo de morte celular”, comenta Soraya.

Os genes que controlam a autofagia começaram a ser identificados em 1997, inicialmente em leveduras, organismos unicelulares, empregados na fabricação de pão, vinho, cerveja e álcool combustível. A partir dos genes, os especialistas conheceram quais são e como interagem as proteínas que levam adiante esse mecanismo flexível de reciclagem de componentes celulares. Além de desmontar o que não está funcionando direito, a autofagia tem outras funções ao longo do desenvolvimento das células, nem sempre levando à morte. É necessária, por exemplo, para as leveduras se reproduzirem e para as larvas de insetos se transformarem em pupas.

“Hoje vemos que a autofagia está mais para sobrevivência e resistência do que morte celular”, observa Soraya. “Diante de um estímulo agressor ou de um defeito celular, a célula pode entrar em autofagia como uma tentativa de reparo e só quando não há mais conserto é que entra em processo de morte celular.” Vários estudos sugerem que os genes e as proteínas que estimulam a autofagia podem bloquear a apoptose, ou o contrário, a partir de estímulos muito bem definidos, estabelecendo assim uma conversa cruzada entre esses dois fenômenos.

Quando recebem estímulos internos ou externos, as duas dezenas de genes já identificados que controlam a autofagia acionam a produção de proteínas, que aos poucos se encaixam formando membranas que cercam os componentes celulares a serem desmontados antes de causarem problemas. Em seguida, movida por outras proteínas específicas, a membrana se funde com os lisossomos, compartimentos da célula ricos em enzimas que rotineiramente fragmentam proteínas.

Os lisossomos digerem proteínas defeituosas celulares mais lentamente que outro mecanismo de limpeza celular chamado proteossomo. Embora mais lentos, os lisossomos podem eliminar estruturas celulares maiores, quando danificadas ou deficientes, principalmente as mitocôndrias, compartimentos celulares que convertem a energia obtida dos alimentos em moléculas de ATP, fundamentais para a manutenção das células. Na Unifesp, sob orientação de Soraya, Juliana Terashima irrigou células com um composto conhecido pela sigla FCCF, extremamente tóxico para as mitocôndrias. Em resposta, as células entraram em autofagia, que, uma vez acionada, ajudou a remover as mitocôndrias que haviam sido danificadas pelo composto.

Ao participar da linha de desmontagem celular, os lisossomos permitem às células construir novas moléculas mesmo quando não são abastecidas por matéria-prima habitual, vinda dos alimentos. A fusão das membranas com os lisossomos leva à formação de grandes bolsas, chamadas vacúolos autossômicos, que levam adiante a transformação de resíduos em matéria- -prima para moléculas novas. Segundo Lenz, aparentemente é o número de mitocôndrias eliminadas por esses vacúolos que marca o momento em que a célula sai da fase da reciclagem para a da destruição completa. O problema é encontrar esse limite. Ou, em termos práticos, descobrir quantas mitocôndrias uma célula precisa perder – uma célula possui em média 200 mitocôndrias – para entrar no caminho irreversível da morte celular.

O conhecimento sobre essa linha de desmontagem celular, à medida que encorpava, levantou as primeiras possibilidades, hoje mais concretas, de intervir nessa cadeia de reações bioquímicas para prolongar a vida das células sadias e reduzir a das tumorais. Em um estudo publicado em fevereiro de 2008 na revista PNAS, pesquisadores italianos mostraram que o lítio, aplicado durante 15 meses em um grupo de 44 pessoas, poderia adiar a progressão da esclerose lateral amiotrófica, uma doença neurodegenerativa.

Um mês antes uma equipe da Universidade de Cambridge havia mostrado na Human Molecular Genetics as possibilidades de uso do lítio e da rapamicina, combinados, para tratar a doen-ça de Huntington, outra enfermidade com perda contínua da funcionalidade dos neurônios. “A autofagia parece remover os agregados de proteínas malformadas, que atrapalham o funcionamento das células nervosas e estão presentes em doenças neurodegenerativas como a de Huntington, Parkinson e Alzheimer”, observa Soraya. Segundo ela, estudos realizados em seu laboratório com células de pacientes com Huntington mostraram que estimular a autofagia pode retardar o aparecimento da morte celular por apoptose.

Uma célula que se limpou por meio da autofagia pode viver mais, de acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na Nature em julho de 2009. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores cuidaram de cerca de 3 mil ratos idosos, com uma idade equivalente a 60 anos em seres humanos. Administraram rapamicina, composto que estimula a autofagia, a uma parte dos animais e esperaram todos morrer naturalmente, de cinco a sete meses depois. Os camundongos que receberam rapamicina apresentaram um tempo de vida de 28% a 38% maior que os do grupo que não recebeu nada.

Esse experimento impressionou pela grandiosidade, já que o número de animais raramente é tão elevado, mas sua aceitação não foi consensual – e muitos pesquisadores argumentaram que os camundongos podem ter vivido mais por outras razões ou que esse resultado não é o bastante para associar o controle da autofagia ao prolongamento da vida celular. De todo modo, os mecanismos de funcionamento da autofagia tornam-se mais claros. Outros experimentos sugeriram que a simples privação de nutrientes pode estimular esse tipo de limpeza celular. “Recebendo menos glicose”, comenta Soraya, “a célula vai produzir menos energia pelas vias metabólicas habi-tuais, mas também produzirá menos resíduos que aceleram o envelhecimento, além de estimular a autofagia, que pode remover mitocôndrias e proteínas malformadas”.

Em um artigo publicado em 2006 na Cancer Cell, Melanie Hippert, Patrick O’Toole e Andrew Thorburn, da Universidade de Colorado, em Denver, Estados Unidos, reconhecem que a manipulação da autofagia deve ser útil para deter a evolução de tumores e aumentar a eficiência dos tratamentos contra câncer. O problema é que a autofagia tem um papel duplo: pode inibir ou favorecer o crescimento de tumores, dependendo das circunstâncias. Por essa razão, a autofagia poderia ser estimulada para evitar a formação de tumores em pessoas com risco de câncer, mas reduzida se um tumor já tiver se estabelecido no organismo.

Depois de encontrar um composto adequado, o desafio seguinte será definir a melhor dosagem, para que apenas as células tumorais morram. Chi Dang, da Universidade John Hopkins, Estados Unidos, relatou em janeiro de 2008 na Journal of Clinical Investigation que a cloroquina, um antimalárico, pode ajudar a prevenir a evolução de tumores. Ele advertiu, porém, que o uso prolongado desse composto, que inibe a autofagia e estimula a apoptose, pode ter efeitos colaterais ainda não previstos, já que o conhecimento sobre o equilíbrio celular ainda é rudimentar.

“Não acredito que os novos antitumorais apenas estimulem a autofagia”, comenta Lenz. “Seria arriscado. A saída talvez seja algo, como o resveratrol, que possa ter múltiplos alvos e ativar mais de um processo bioquímico que leve à morte dos tumores, inclusive por autofagia.” Mesmo que novos compostos não cheguem logo, a capacidade de induzir ou bloquear a morte celular deve tornar-se uma característica dos medicamentos em geral, ajudando a explicar como atuam no organismo – muitos medicamentos antitumorais já em uso, por sinal, podem induzir à autofagia. Pode ajudar também a retomar muitas pesquisas interrompidas. “Fármacos que falharam em testes clínicos talvez precisem ser revisitados”, cogita Silvya Stuchi Maria-Engler, da USP, “porque podem se tornar excelentes se usados com outros, capazes de induzir ou inibir a autofagia”.



FONTE: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4052&bd=1&pg=1&lg=



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10:24
17/02/2010

O VENENO DO REMÉDIO
Efeitos nocivos limitam potenciais usos terapêuticos da curcumina



Edição Impressa 168
Fevereiro 2010

A curcumina, substância encontrada no pó amarelo-alaranjado extraído da raiz da curcuma ou açafrão-da-índia (Curcuma longa), aparentemente pode ajudar a combater vários tipos de câncer, o mal de Parkinson e o de Alzheimer e até mesmo retardar o envelhecimento. Usada há quatro milênios por algumas culturas orientais, apenas nos últimos anos passou a ser investigada pela ciência ocidental, com resultados surpreendentes em alguns casos e alarmantes em outros. Estudos conduzidos na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP-RP), interior do estado, indicam que em dosagem baixa a curcumina previne danos no material genético das células provocados por compostos tóxicos. Em teores elevados, porém, a curcumina pode até matá-las.

Recentemente a curcumina vem sendo tratada como panaceia pelos meios de comunicação ávidos por dicas de saúde. Corante rotineiro na indústria alimentícia, ela está presente nos mais diversos produtos, de biscoitos a sorvetes, de sopas a margarinas. Também é a base de condimentos como o curry. Na Índia, aliás, seguindo a dieta típica do país, as pessoas chegam a consumir ao redor de dois gramas de curcumina por dia. Nos países ocidentais, onde a quantidade nos alimentos é bem menor, a expectativa de que a curcumina possa melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças a transformou num suplemento alimentar.

Mas alguns pesquisadores alertam: vale a pena levar em conta um velho ditado segundo o qual a diferença entre o remédio e o veneno está na dose – uma adaptação do que teria escrito no século XVI o médico, botânico e alquimista suíço Paracelso. É basicamente isso que vêm sugerindo as pesquisas realizadas pelo grupo de Lusânia Maria Greggi Antunes, pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP em Ribeirão Preto. “Foi muito divulgado no final do ano passado, até em programas de TV, que a curcumina teria um efeito protetor contra o câncer, e só foi dito que quanto maior o consumo, maior a proteção”, afirma Lusânia. “Mas a gente sabe, pelos dados disponíveis, que não é bem assim.” Pesquisadores da Universidade de Sevilha também alertaram para o risco-benefício da curcumina como agente terapêutico.

O interesse inicial do grupo de Ribeirão era estudar o potencial antimutagênico da curcumina, ou seja, sua capacidade de diminuir danos e alterações no material genético (DNA) das células. “Começamos nossos estudos tentando observar redução de danos na estrutura dos cromossomos e depois na sequência do próprio DNA”, conta a pesquisadora. Os testes foram feitos tanto com células (in vitro) como em animais (in vivo) para verificar se a curcumina, com atividade antioxidante já demonstrada, também evitaria mutações no material genético celular.

Essas pesquisas iniciaram-se mais de 10 anos atrás e hoje formam um corpo que justifica o alerta. Nos primeiros testes, o grupo de Lusânia usou uma cultura de células de ovário de hâmster chinês, escolhidas pelos cromossomos grandes. Depois de tratar as células com o quimioterápico bleomicina, de conhecido poder mutagênico e usado contra leucemia, e com radiação, também capaz de induzir danos no material genético, os pesquisadores aplicaram em três grupos de células concentrações diferentes de curcumina. A expectativa era que a substância encontrada na curcuma reduzisse as alterações nos cromossomos. Mas aí veio a surpresa. As doses menores (2,5 e 5 microgramas de curcumina por mililitro) produziram um efeito antimutagênico, enquanto a dosagem mais alta, 10 microgramas por mililitro, provocou a reação contrária: mais mutações do que as observadas nas células não tratadas com curcumina. Ante esses resultados, concluiu-se que nem sempre a curcumina produz um efeito benéfico. Uma quantidade grande demais pode ter um efeito oposto ao de concentrações menores. É o remédio se transformando em veneno.

Neuroproteção - Mais recentemente, alguns trabalhos começaram a sugerir que a curcumina, além de suas propriedades antioxidantes – ela reduz a formação de radicais livres prejudiciais às células –, também poderia apresentar um efeito neuroprotetor, o que a tornaria uma potencial candidata a combater doenças neurológicas hoje incuráveis, como Parkinson ou Alzheimer. O farmacêutico Leonardo Mendonça, do grupo de Lusânia, também colocou essa assertiva à prova em 2009, com um estudo in vitro feito com células de rato denominadas PC12, originárias da glândula adrenal e precursoras de neurônios.

Para induzir os danos às células, os pesquisadores usaram cisplatina, um quimioterápico agressivo, em diferentes concentrações. Como nos estudos com as células de ovário, usaram doses variadas da curcumina para avaliar um possível efeito protetor. Os resultados foram basicamente os mesmos: nas concentrações menores, a curcumina ajudou a proteger as células da ação deletéria da quimioterapia. Mas, nas doses mais altas, o efeito se inverteu e os danos foram ainda maiores que os observados entre as células tratadas com cisplatina, mas não com curcumina.

A essa altura, estava mais claro que o efeito da curcumina nem sempre era protetor. Mas por quê? Aparen-temente, após uma de-terminada dose, a substância passava a contribuir para a formação de radicais livres, em vez de impedi-la. O mecanismo molecular exato ligado a esse efeito, porém, ainda está longe de ser esclarecido. E o mais intrigante é que os experimentos da equipe de Lusiânia com ratos não permitiram verificar as mesmas propriedades nocivas vistas nos estudos com células em cultura.

Parecem ser duas as razões para o fato de os estudos in vivo não mostrarem os mesmos efeitos danosos dos testes in vitro. A primeira é que a chamada biodisponibilidade da curcumina, a capacidade de o organismo a absorver, é bastante baixa. Isso significa que as doses administradas pelo grupo de Lusânia aos animais podem ter sido baixas demais para provocar algum efeito deletério. A segunda razão é que no organismo a curcumina é metabolizada no intestino, antes mesmo de entrar na corrente sanguínea, e depois novamente no fígado, o que terminaria por protegê-lo de uma eventual dose excessiva dessa substância.

Ante essas dúvidas, a equipe volta à bancada em 2010 com o objetivo de criar um modelo in vitro que esteja mais próximo do que se vê in vivo. “Estamos começando o estudo com células que conseguem fazer essa metabolização e que devem permitir comparar melhor os resultados [in vitro com os in vivo]”, explica Lusânia. Caso esse esforço seja bem-sucedido, deve se tornar possível começar a especular sobre qual seria a dosagem máxima segura para ingestão oral por seres humanos. Hoje os estudos só são capazes de mostrar que, depois de uma determinada quantidade, a curcumina faz mal. Mas, como quase todos os testes foram in vitro, não permitem calcular a dosagem ameaçadora para um organismo. Isso porque a ingestão de alguns gramas de curcumina resulta em concentrações muito baixas no sangue, medidas em nanogramas, bem menos do que a quantidade a que as células são submetidas em laboratório. O grupo também pretende investigar quais genes a curcumina ativa e desativa dentro das células, numa tentativa de elucidar o mecanismo molecular por trás de efeitos tão diversos.

Se por um lado a questão da dosagem e a da toxicidade preocupam, por outro, alguns estudos, feitos por brasileiros inclusive, mostram resultados animadores do uso da curcumina contra certos tipos de câncer.

O grupo do urologista Miguel Srougi, da Faculdade de Medicina da USP, tem trabalhado com a perspectiva de usar a curcumina contra tumores de próstata e de bexiga. Nas culturas de células em laboratório, eles observaram um efeito impressionante: a curcumina levou as células dos tumores ao suicídio – acionou a apoptose, a morte celular autoinduzida. O resultado é particularmente surpreendente se levar-se em consideração o fato de que os tumores em geral são formados por células que sofreram mutações e se recusam a morrer, multiplicando-se furiosamente.

Ação localizada - No estudo do câncer de bexiga, a equipe de São Paulo foi mais longe: realizou uma série de experimentos in vivo, com camundongos. Os testes mostraram um efeito localizado contra as células cancerosas, sem danos colaterais nos animais. “Está nos planos fazermos no futuro próximo testes clínicos com a curcumina contra o câncer de bexiga, possivelmente para ser usada como segunda linha de tratamento”, explica Kátia Leite, pesquisadora do grupo de Srougi.

A vantagem no caso dos tumores de bexiga é a facilidade de aplicação direta da curcumina. É possível injetá-la diretamente na bexiga, via uretra, de forma que as concentrações que chegam ao tumor são suficientes para afetá-lo. Quando a administração é por via oral, isso se torna mais difícil, em razão da pouca capacidade de absorção do organismo. Essa constatação ajuda a explicar por que muitos pesquisadores dizem que as pessoas não deveriam se animar muito em incluir curcumina na dieta por seus potenciais efeitos medicinais.

Mas, de novo, nem mesmo como medicamento, com uso específico e dosagem controlada, a curcumina é a solução para todos os males. Um estudo realizado pelo americano Mark Miller, da Universidade Wake Forest, e apresentado em novembro de 2009 em um congresso em Ouro Preto, interior de Minas Gerais, mostrou que, em testes contra câncer de pulmão feitos com camundongos transgênicos, a curcumina agravou o problema, em vez de combatê-lo.

O desafio agora é decifrar precisamente como a curcumina age no organismo, para compreender como ela pode, em alguns casos, fazer bem, e em outros, mal. “Ainda estamos muito longe de entender os mecanismos exatos de ação da curcumina”, explica Kátia. “Por isso mesmo ainda precisamos de muitas outras pesquisas.”


FONTE: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4053&bd=1&pg=1&lg=



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10:07
17/02/2010

APARECEU O MICHEY MOUSE!!


Edição Impressa 168
Fevereiro 2010


“Coincidência, acidente, acaso ou não, a verdade é que nano Mickeys estão lá e eles estão sorrindo”, é assim que o professor Oswaldo Alves, do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), se refere à inusitada figura que apa-receu em um experimento e foi identificada por meio de um microscópio eletrônico de transmissão. Coordenador do Laboratório de Química do Estado Sólido (LQES) e vice-coordenador do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Materiais Complexos Funcionais, Alves viu as imagens dos ratinhos depois de preparar em uma autoclave nanofios de vanadato de prata (AgVO3) decorados com nanopartículas de prata, uma nanoestrutura com ação antibacteriana quando incorporada a vários materiais como plásticos, tecidos e tintas. Um close em uma parte do nanofio revelou a imagem de Mickey Mouse, famoso personagem de Walt Disney. “Um deles estava direcionado para a frente e permitiu uma melhor visualização, mas existem outros envolvendo nanopartículas de prata”, diz Alves. O nano Mickey se perfila ao lado de outras nanofiguras que se formam espontaneamente como os nanotubos ou são construídas por pesquisadores como nanopinças, nanorrádios, nanocarros e nanosseringas. “A diferença é que a fama do Mickey pode contribuir para popularizar a nanotecnologia, especialmente entre as crianças”, diz Alves, que contou no experimento com o aluno de doutorado Raphael Dias Holtz e com o professor visitante Antônio Gomes de Souza, da Universidade Federal do Ceará, ambos financiados pela FAPESP. Para a ciência, segundo Alves, a figura do rato famoso faz surgir novas perguntas. “Ela nos traz algumas questões inerentes à nanoescala: é o nanomundo imitando o macromundo ou o macromundo que imita o nanomundo? O Mickey é uma imagem acidental? Como podemos controlar e entender essa auto-organização? Nós conhecemos muito pouco sobre os mecanismos que levam à formação desses sistemas. O que sabemos é que repetindo o experimento o Mickey aparece. Isso é importante porque a reprodutibilidade pode levar à fabricação controlada de sistemas complexos.” Para o professor Oswaldo Alves, o aparecimento do Mickey é no mínimo curioso e parece anunciar a chegada de sistemas de nanoestruturas e sistemas de nano-objetos. “Ciência e arte estão novamente de mãos dadas.”


FONTE: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=6232&bd=2&pg=1&lg=



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05/02/2010
BACTÉRIA COM GENE DE ARANHA PRODUZ VENENO NO BUTANTÃ


Uma bactéria que fabrica a principal toxina da aranha-marrom vai facilitar a produção de soro antiveneno no Instituto Butantã. Pesquisadores do Laboratório de Imunoquímica conseguiram inserir um gene do animal peçonhento na bactéria Escherichia coli. Os microrganismos tornaram-se pequenos fornecedores da principal enzima (esfingomielinase-D) responsável pelos danos da picada.

Por enquanto, o veneno, utilizado para a produção do soro, é obtido de modo artesanal: as aranhas recebem pequenos choques que forçam a liberação de quantidades ínfimas da toxina. Cada animal expele, no máximo, 30 microgramas de veneno - uma gota de água, por exemplo, tem massa dez mil vezes maior. Para produzir o soro, é preciso usar centenas de aranhas.

Com a nova técnica, as bactérias substituiriam as aranhas e poupariam trabalho dos cientistas. Ficaria garantido um suprimento estável de esfingomielinase-D para a produção do soro.

"Nossa intenção era prescindir das aranhas para a obtenção da toxina", explica Denise Tambourgi, diretora do Laboratório de Imunoquímica, que há 15 anos investiga o veneno da aranha-marrom. Atualmente, o Butantã produz soro antiaracnídico que trata, ao mesmo tempo, picadas de escorpião, aranha-marrom e armadeira - outra espécie de aranha comum no país.

"A ideia é produzir soros específicos para cada um dos animais", aponta o diretor do Serviço de Imunologia do Butantã, José Roberto Marcelino. Atualmente, já está disponível o soro contra veneno de escorpião.

O soro para envenenamento causado por aranha-marrom - conhecido como antiloxoscélico - é o próximo da lista.

"Pretendemos produzir três lotes consecutivos (de soro antiloxoscélico) ainda este ano", aponta Marcelino. As doses serão usadas nos testes clínicos prévios ao pedido de aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O soro vai neutralizar o veneno de três espécies de aranhas-marrons: Loxosceles gaucho - principal responsável pelos acidentes em São Paulo -, L. intermedia - comum no Paraná, onde ocorre a maior parte dos acidentes no Brasil - e L. laeta - mais venenosa, presente em Santa Catarina e em vários países latino-americanos. Por enquanto, apenas o veneno de L. intermedia e L. laeta será produzido com as bactérias.

Veneno total

O soro antiloxoscélico utilizado no país é fabricado pelo Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), ligado à Secretaria de Saúde do Paraná. Produzido com veneno extraído de aranhas, o soro também neutraliza toxinas das três espécies responsáveis pela maior parte dos acidentes no país e na América Latina.

A farmacêutica Isolete Pauli, responsável pela produção de soros antiveneno no CPPI, considera muito oportuna a pesquisa do Instituto Butantã.

Mas aponta que será necessário comprovar que o produto fabricado com bactéria transgênica neutraliza o "veneno total" - ou seja, todas as toxinas inoculadas pela aranha-marrom, e não só a esfingomielinase-D.

"Sem dúvida, esta enzima é uma peça-chave do veneno", aponta Isolete. "Mas todas as toxinas atuam de forma sinérgica para causar os danos do envenenamento."

Denise Tambourgi, do Butantã, afirma que testes com animais em laboratório demonstraram que a neutralização da esfingomielinase-D é suficiente para impedir a ação das demais toxinas.

Números

No ano passado, houve 17.474 acidentes com aranhas, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. A aranha-marrom teria contribuído com um terço dos envenenamentos.

A médica Marlene Entres explica que a picada da aranha-marrom não costuma doer. Só depois de algumas horas o envenenamento evolui para sintomas que podem variar de necrose no local à presença de hemoglobina na urina, devido à ação das toxinas sobre o sangue.

Fonte:Alexandre Gonçalves para O Estado de SP
Fonte: http://www.crbio01.org.br/cms/#inicio



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BORRACHA VERSÁTIL

LÁTEX É MATÉRIA-PRIMA PARA CONTROLE DE OBESIDADE E OUTROS PRODUTOS USADOS POR DIABÉTICOS

Dinorah Ereno
Edição Impressa 167 - Janeiro 2010


Do látex extraído da seringueira amazônica os pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) estão desenvolvendo novos produtos para a área da saúde, destinados principalmente a pacientes diabéticos. “É uma matéria-prima de fácil manuseio e barata, porque o litro de látex custa cerca de R$ 17,00”, diz a professora Suélia Rodrigues Fleury Rosa, do Laboratório de Engenharia e Inovação da UnB do campus de Gama, a 30 quilômetros da capital federal, coordenadora da pesquisa. O primeiro projeto desenvolvido pelo grupo é uma prótese de esôfago para controle da obesidade e do diabetes tipo 2. “É um dispositivo biocompatível e flexível que tem a função de controlar a ingestão alimentar pela redução do diâmetro do esôfago, órgão que funciona como um tubo condutor entre a faringe e o estômago”, diz Suélia.

Ao ser inserido no esôfago por via endoscópica, o dispositivo, indicado para ser usado por até 10 dias, causa resistência à passagem dos alimentos, tornando a ingestão mais lenta devido à necessidade de mastigação prolongada. “Esse efeito sobre a mastigação exerce influência nos mecanismos desencadeadores da saciedade e ajuda na reeducação alimentar de pacientes obesos, com consequente perda de peso e melhora nos níveis de glicemia”, diz Suélia. Nos testes experimentais feitos em cães, endoscopias comparativas feitas antes da colocação do módulo no esôfago e após a retirada do dispositivo, que permaneceu no organismo entre sete e 15 dias, mostraram que toda a área do órgão se manteve íntegra, sem nenhuma alteração.

Atualmente, além da cirurgia bariátrica – redução do estômago, que é o último recurso usado contra a obesidade extrema, mas impõe uma série de limitações aos pacientes –, existem outras formas de tratamento, também classificadas como cirúrgicas e menos radicais. São as chamadas técnicas restritivas, como a banda gástrica ajustável e o balão intragástrico, similares ao módulo criado na UnB, chamado de controlador de fluxo esofagiano (CFE). A principal diferença entre eles é o local onde são aplicados, porque os dois dispositivos que estão em uso atuam na compressão do estômago.

A banda gástrica ajustável consiste em uma fita de silicone colocada na parte alta do estômago. Após ser insuflada leva a um estreitamento do órgão, diminuindo sua capacidade em torno de 30 mililitros, o que restringe o volume da alimentação. “Essa técnica é indicada para pacientes não muito obesos, já que a perda de peso fica em torno de 20%, que não gostem de doces e álcool”, diz Suélia. “Entre as complicações pós-cirúrgicas estão dilatação do esôfago pela dificuldade de esvaziamento do órgão, obstrução total do estômago e infecção por contato com líquido digestivo.” A outra técnica é o balão intragástrico, prótese de silicone de formato esférico introduzida pela boca e levada ao estômago. É uma técnica útil para coibir a ingestão de alimentos de consistência pastosa ou sólida, mas não para líquidos. “Bebidas alcoólicas e outros líquidos com grande teor calórico são bem tolerados e, quando usados compulsivamente, se tornam a causa de insucesso do método para perder peso”, ressalta a pesquisadora.

O dispositivo da UnB tem o formato de um balão cilíndrico de oito centímetros de comprimento, com a superfície interna lisa e a externa ondulada com ranhuras. A aplicação é feita por endoscopia, com o balão vazio, na parte superior do órgão. Depois de posicionado no local correto, ele é inflado com oxigênio. “O objetivo do tratamento é que o paciente aprenda a mastigar e a comer corretamente com a ajuda de fonoaudiólogos, médicos especialistas e psicólogos”, diz Suélia. O projeto de desenvolvimento do CFE, que começou a tomar forma em 2006, durante o doutorado de Suélia, recebeu o Prêmio Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação em 2008 e o Prêmio Jovem Inventor da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal em 2009. A ideia surgiu a partir da observação de que pessoas com patologias obstrutivas de esôfago, como anel esofágico inferior e membranas esofágicas, apresentam grande perda de peso, mas não desnutrição.

Método inovador - “A minha mentora foi a professora Fátima Mrué, da Universidade Federal de Goiás (UFG), que desde 1994 estuda o látex”, diz Suélia. Fátima desenvolveu junto com o professor Joaquim Coutinho Netto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, uma biomembrana à base de látex usada como curativo para feridas crônicas (leia mais sobre o assunto na edição 88 de Pesquisa FAPESP), lançada comercialmente com o nome de Biocure pela empresa Pele Nova Biotecnologia. Para o desenvolvimento da prótese de esôfago, a pesquisadora contou com a orientação dos professores Adson Ferreira da Rocha, da Faculdade de Tecnologia da UnB, e José da Conceição Carvalho, da Faculdade de Medicina da UFG.

A próxima etapa do projeto consiste em testar a prótese em cinco voluntários durante um período de 10 dias. “A perda de peso esperada é de cerca de um quilo por dia”, diz Suélia. “O estudo em um grupo pequeno deve-se à inovação do método e também para que todas as questões referentes à metodologia, aos riscos e aos desconfortos possam ser tratadas com maior grau de segurança.” O pedido para testar em voluntários está sendo avaliado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Goiás, onde os testes serão feitos, e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), vinculada ao Ministério da Saúde. “A fase dos testes em humanos deverá se estender por cerca de um ano e meio”, diz. Depois disso, se tudo correr conforme o previsto, a pesquisadora pretende estabelecer parceria com uma empresa para a fabricação do produto.

O látex também foi a matéria-prima escolhida para ser usada na fabricação de uma palmilha que controla a pressão da pisada dos pés de diabéticos, como forma de prevenir futuras amputações. “Quando o diabético pisa incorretamente, por causa da má circulação no pé, começam a surgir feridas em alguns pontos mais sensíveis, que acabam evoluindo para a perda de dedos ou mesmo parte do pé”, diz Suélia. A palmilha terá um circuito eletrônico de baixo custo que vai monitorar as pisadas dos pacientes. “O controle possibilitará que seja feita uma fisioterapia dirigida para a ferida não evoluir”, relata. Ela também poderá ter em sua composição produtos químicos que ajudam na regeneração do tecido. Outra possibilidade que está em estudo é colocar na peça um laser de baixa frequência para ajudar na regeneração tecidual da ferida. A palmilha já tem um depósito de patente e está sendo analisada pelo comitê de ética da universidade para ser testada em pessoas.

Em um terceiro projeto o látex, depois de seco em estufa e submetido ao processo de vulcanização, é utilizado para fabricação de um colchão inteligente destinado a pessoas que passam longos períodos em repouso, como diabéticos, pacientes internados em unidades de tratamento intensivo e recém-nascidos hospitalizados, como forma de evitar a formação de escaras. O diferencial desse colchão é que os gomos serão inflados e desinflados automaticamente por um circuito interno pré-programado. “O objetivo é fazer uma distribuição de pressão uniforme, mas não contínua”, diz Suélia. Um colchão em escala reduzida está sendo testado pela equipe de pesquisadores para avaliar qual o intervalo de tempo que determinado ponto da pele suporta a pressão, quanto tempo aguenta e outros parâmetros. Com base nessas informações, será feita a configuração do colchão de acordo com as necessidades de cada paciente. As três pesquisas fazem parte de um projeto chamado Bioenglatex – desenvolvimento de dispositivos de látex aplicados à medicina.

Fonte: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=4039&bd=1&pg=1&lg=

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A culpa não é do Colombo
ESTUDO DE BRASILEIROS DIZ QUE A SÍFILIS DEVE TER SURGIDO ENTRE 5 MIL E 16.500 ANOS ATRÁS, MUITO ANTES DA DESCOBERTA DAS AMÉRICAS PELOS EUROPEUS.


Marcos Pivetta
Edição Online - 20/01/2010



Um trabalho da bióloga Sabine Eggers, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), e de quatro alunos de pós-graduação refuta uma ideia ainda prevalente no meio científico e na sociedade em geral: a teoria de que a sífilis, doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, teria aparecido nas Américas há cerca de 500 anos e só teria sido levada para a Europa por Cristóvão Colombo e os primeiros desbravadores do Novo Mundo. Segundo o estudo, que acaba de ser publicado na edição eletrônica da revista científica Plos Neglected Tropical Diseases, a doença deve ter surgido entre 5 mil e 16.500 anos atrás, muito antes de os europeus terem desembarcado por aqui. "Mas não podemos afirmar se a sífilis venérea apareceu ou não nas Américas", diz Sabine, especialista em paleopatologia, o estudo das doenças em populações do passado.
Confrontando as evidências científicas de duas áreas de estudo, da paleopatologia e da genética molecular, os pesquisadores testaram as três teorias mais difundidas sobre a origem da sífilis: a hipótese colombiana, a mais conhecida de todas, segundo a qual a doença emergiu nas Américas, há cerca de meio milênio, e em seguida foi levada à Europa pelos colonizadores europeus; a hipótese pré-colombiana, que defende a ideia de que a sífilis e outras patologias causadas por treponemas já estava presente tanto no Velho como no Novo Mundo milhares de anos antes da época das Grandes Navegações, sendo os primeiros casos de doenças desse tipo originários da Ásia ou da África 17 mil anos atrás; e a hipótese que advoga a existência de doenças desencadeadas por treponemas em todo o mundo desde sempre, há talvez milhões de anos, tendo diferentes grupos sociais, ao longo da história, apresentado distintas manifestações desse grupo de doenças em função das condições geográficas, climáticas e do seu desenvolvimento social. No final do trabalho, concluíram que a teoria mais plausível era a segunda, embora não tenham fechado posição sobre o berço geográfico da sífilis.
Causadora de epidemias fatais na Europa do final do século XV e início do XVI, na época das Grandes Navegações, quando era incurável, de difícil diagnóstico (era facilmente confundida com outras doenças, como a lepra) e sua virulência era alta, a sífilis tornou-se facilmente tratável no século passado depois do advento dos antibióticos, sobretudo da penicilina. Apesar disso, ainda hoje ocorrem anualmente cerca de 12 milhões de casos e 150 mil mortes por sífilis venérea ou congênita, também causada pelo mesmo patógeno, sobretudo em regiões pobres como a África, o Sudeste Asiático e em menor escala na América Latina. No Brasil, cerca de um milhão de casos da doença são registrados anualmente. Se não for medicado, o doente de sífilis desenvolve graves lesões na pele e nas mucosas, dolorosas alterações ósseas e pode morrer.
As conclusões do artigo científico se amparam numa abordagem interdisciplinar, que levou em conta dados de duas áreas do conhecimento cujos especialistas normalmente não trabalham em conjunto. Primeiro, os pesquisadores brasileiros montaram um mapa-múndi com os 128 registros de sífilis e de outras patologias similares causadas por bactérias do gênero Treponema em ossadas humanas e de hominídeos com datação superior a 500 anos (portanto, pré-colombianas) descritos na literatura científica. Localizaram no globo terrestre quando e onde teriam ocorrido esses antigos casos de sífilis e de outras treponematoses (doenças com a pinta, o begel e o bouba). Duas dessas ocorrências pré-colombianas de sífilis se situam no Brasil, em ossadas encontradas no Sambaqui de Jabuticabeira II, próximo ao litoral de Santa Catarina, com idade estimada de 3 mil anos, e num sambaqui fluvial de 5 mil anos escavado no Vale do Ribeira, em São Paulo.
Dos 128 registros de ossos antigos que aparentemente carregam as marcas da sífilis e de outras treponematoses, 39 ocorrências foram descartadas pela equipe da USP nas análises estatísticas. "Excluímos os casos mais duvidosos de nossas análises", diz a bióloga Ana Maria Fraga, uma das alunas de pós-graduação que participaram do estudo. Tratava-se de registros em que o diagnóstico clínico da doença ou a idade da ossada era questionável. Sobraram então 89 casos de sífilis ou treponematoses mais ou menos confiáveis, de acordo com os registros paleopatológicos. Desses, mais de um terço (33 casos) eram de esqueletos achados no Velho Mundo. Portanto, embora as ocorrências de sífilis há mais de 500 anos na Europa não sejam majoritárias, há informações relativamente fartas na literatura científica indicando que parece ter havido casos da doença tanto no Novo como no Velho Mundo bem antes de Colombo aportar nas Américas.
O segundo passo da equipe da USP foi tentar reconstituir a história evolutiva da Treponema pallidum a partir da análise de 21 genes ou regiões intergênicas desse patógeno e de outros treponemas. "Apenas com os registros da paleopatologia não é possível resolver a questão da origem geográfica e no tempo da sífilis", comenta Sabine. "Por isso, usamos esse tipo de dado para calibrar nossas análises de genética molecular." Esse tipo de estudo se vale de uma característica do DNA para construir cenários a respeito do surgimento de uma espécie, seja ela o homem ou uma bactéria. Ao longo de sua história evolutiva, de geração em geração, o material genético de um organismo acumula mutações. Tendo uma ideia ainda que aproximada de qual é a taxa de ocorrência de mutações no DNA de uma espécie, os biólogos moleculares acreditam ser possível estimar quando esse organismo surgiu. "O interessante desse trabalho foi ter juntado essas duas áreas distintas para estudar a origem de uma doença", afirma a bióloga Kelly Nunes, outra estudante da pós da USP que participou do estudo.
Foi com essa ferramenta que os pesquisadores brasileiros calcularam quando poderia ter surgido o agente causador da sífilis. Dessa forma, puderam colocar lado a lado a versão da história da doença que parece emergir do estudo de esqueletos antigos com sífilis e a historia evolutiva do patógeno contada a partir da análise da variabilidade genética presente no DNA de bactérias do gênero treponema. Quando fizeram esse confronto dos dois lados da história, ganhou consistência a tese de que a sífilis surgiu entre 5 mil e 16.500 anos. O registro mais antigo de uma treponematose num hominídeo remonta a 1, 6 milhão de anos, de acordo com uma ossada de Homo erectus que exibe sinais de ter tido bouba, uma treponematose similar à sífilis. O problema é que, se esse grupo de doenças tivesse emergido numa época tão remota, muito antes do surgimento do homem moderno (Homo sapiens), a Treponema pallidum teria que apresentar uma taxa anual de acúmulo de mutações em seu genoma dez vezes menor do que outras bactérias, como a Escherichia coli. Isso é muito improvável, segundo os pesquisadores da USP. Caso a doença tenha se originado há apenas 500 anos, na época de Colombo, como defende a hipótese mais difundida, o patógeno da sífilis teria que exibir, segundo os cálculos dos cientistas brasileiros, uma taxa de incorporação de mutações 100 vezes maior do que a de outras bactérias. De novo, esse ritmo de acúmulo de alterações num DNA bacteriano parece fora de qualquer padrão.
Restou, por fim, averiguar se uma hipótese intermediária sobre o surgimento da sífilis faria sentido tanto do ponto de vista da paleopatologia como da genética molecular. Essa foi a tese que mais convenceu os pesquisadores da USP. Se as treponematoses tiverem surgido entre 5 mil e 16.500 anos, sendo esta última data tida como o momento em que o Homo sapiens começou a colonizar as Américas, o patógeno da doença teria que apresentar uma taxa de incorporação de mutações mais ou menos semelhante à de outras bactérias. Na verdade, segundo os cálculos da equipe da USP, as primeiras treponematoses podem ter surgido até um pouco antes, por volta de 90 mil anos atrás. O problema é que, se essa ideia for verdadeira, alguém terá de encontrar ossadas humanas exibindo alguma doença causado por treponema. O registro mais antigo de treponematose no homem moderno bate na casa dos 15 mil anos. "Se nossa análise filogenética estiver correta, esperamos encontrar evidências de treponematoses, incluíndo uma Eva com sífilis, em ossos de exemplares de nossa espécie e até nos neandertais com idade estimada em 88 mil anos", diz Sabine.

Fonte: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=6178&bd=2&pg=1&lg=

MEDICINA / SAÚDE

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21:47
11/03/2010

MINISTRO DEBATERÁ REPASSE DE VERBAS PARA SAÚDE DO ÍNDIO NA AMAZÔNIA


A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional vai convidar para audiência pública o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Danilo Forte, para prestar esclarecimentos sobre o repasse de verbas públicas para ONGs.

O deputado Marcelo Serafim (PSB-AM), que propôs a reunião, lembrou que o Portal da Transparência divulgou dados de 2009 sobre a saúde indígena, que mostram que três organizações não governamentais (ONGs) de Manaus (Amazonas) receberam R$ 17 milhões.

Para o deputado, os números são expressivos mas não representam o cuidado com a saúde do índio. “Vemos o dinheiro para a saúde indígena indo para ONGs e não para a Funasa. Precisamos ter um controle dos gastos com os recursos da União enviados para entidades do terceiro setor”.

A audiência aprovada nesta quarta-feira (10) ainda não tem data definida.

Da Redação/ RCA
Colaboração - Laís Braz


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/145777-MINISTRO-DEBATERA-REPASSE-DE-VERBAS-PARA-SAUDE-DO-INDIO-NA-AMAZONIA.html



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21:54
11/03/2010

GRUPO DE TRABALHO SOBRE AMIANTO APRESENTA PARECER NA PRÓXIMA QUARTA


O grupo de trabalho sobre amianto deve apresentar seu relatório final na próxima quarta-feira (17). A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou a prorrogação das atividades do grupo para permitir a conclusão do parecer do deputado Edson Duarte (PV-BA). O grupo é destinado a discutir os efeitos do amianto sobre a saúde e o meio ambiente e apresentar propostas para aperfeiçoar a fiscalização e o controle do produto.

A coordenadora do grupo e autora do requerimento, deputada Rebecca Garcia (PP-AM), destaca que o amianto é considerado um dos produtos mais perigosos do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a exposição ao amianto aumenta os riscos de doenças como o câncer. "A substância já foi proibida em 30 países, não importa se a exposição foi em menor ou maior grau, o risco de câncer é o mesmo", disse.

Similares sem amianto
Segundo a parlamentar empresas nacionais modificaram a planta industrial e comercializam produtos similares sem amianto, porém essas empresas são exceção. "A produção e o comércio ainda são liberados no Brasil e geram renda para diversos setores da sociedade", assinalou.

Rebecca Garcia ressalta que os principais objetivos do grupo são:
- avaliar como as indústrias podem substituir o amianto por outra substância não cancerígena,
- quais os efeitos dessa ação para a economia do País e
- quais os efeitos da produção para o meio ambiente.

Durante os dois anos de realização das atividades, o grupo ouviu especialistas e representantes do setor produtivo, fez visitas a mineradoras e a indústrias falidas e abandonadas, conversou com trabalhadores e vítimas da substância, além de realizar debates e seminários sobre o assunto. "Precisamos de mais tempo para apresentar o relatório aos membros da comissão, estamos contribuindo para que o governo encontre alternativas para a situação", disse a deputada.

Da Redação/ RCA
Colaboração - Laís Braz


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/145773-GRUPO-DE-TRABALHO-SOBRE-AMIANTO-APRESENTA-PARECER-NA-PROXIMA-QUARTA.html



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21:41
11/03/2010

PROJETO CRIA PROGRAMA DE COMBATE AO CÂNCER INFANTIL



A Câmara analisa o Projeto de Lei 6806/10, do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que cria o programa nacional de combate à retinoblastoma (câncer de retina) e aos tumores embrionários.

O texto estabelece que a União, por meio dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, colocará à disposição da população, em toda a rede pública de saúde, a realização de exames para identificar a retinoblastoma e de ultrassom para identificar tumores embrionários.

Os exames deverão ser realizados em crianças de quatro a quinze meses. Identificada a ocorrência de tumores, as crianças serão encaminhadas para tratamento na rede pública de saúde.

Pela proposta, a União realizará, anualmente, pelo período de 15 dias, propaganda institucional para alertar a população sobre a importância desses exames e para divulgar a faixa etária na qual eles devem ser realizados.

Convênios
O Poder Executivo deverá regulamentar a lei no prazo de 180 dias, ficando a União autorizada a firmar convênios com estados, municípios e entidades sociais de interesse público para sua execução.

O deputado lembra que há publicações que demonstram que a ocorrência dessas doenças é maior nos primeiros dois anos de vida, e os diagnósticos têm ocorrido tardiamente, quando já apareceram os primeiros sintomas.

O recomendável, segundo ele, é identificar tumores com até 2 milímetros, evitando a necessidade de tratamentos agressivos, como quimioterapia ou radioterapia.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
■PL-6806/2010

Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição - Newton Araújo


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/145764-PROJETO-CRIA-PROGRAMA-DE-COMBATE-AO-CANCER-INFANTIL.html



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23:00
10/03/2010

CCJ APROVA PROJETO QUE PROÍBE FUMÓDROMOS EM TODO O PAÍS



Proposta que acaba com o fumo em ambientes fechados tem o apoio do Ministério da Saúde. No Brasil, 2.655 pessoas morrem por ano devido ao tabagismo passivo

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou, na manhã desta quarta-feira (10), o Projeto de Lei 315/08, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC). A proposta, que tem o apoio do Ministério da Saúde, proíbe o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público.

“Estou muito satisfeito com a aprovação da CCJ do Senado. Do ponto de vista da política tabagista, em que o Brasil é liderança mundial, essa é uma questão primordial. Doze estados já aprovaram leis estaduais, vários municípios também, mas nós temos que ter uma lei federal que dê respaldo a essas iniciativas”, afirma o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele acrescenta que o banimento do fumo passivo é uma grande conquista de saúde pública. “Há profissionais, como os garçons, que não fumam e trabalham em ambientes expostos à fumaça. O Inca já fez um estudo mostrando que o impacto do fumo passivo é muito sério”, ressalta.

Atualmente, a lei federal 9.294/96 proíbe o fumo em recintos coletivos, mas permite fumar em áreas destinadas exclusivamente a esse fim, desde que o local seja devidamente isolado e com arejamento conveniente – os chamados fumódromos. O PLS 315/08 acaba com essas áreas.

FUMANTES PASSIVOS - A lei que está em vigor é considerada defasada em relação às práticas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda ambientes 100% livres do fumo como a única forma de proteger os fumantes dos riscos do tabagismo passivo. Apesar de a lei estabelecer locais exclusivos para os fumantes, na prática, a maioria dos bares, restaurantes e casas noturnas mantém seus funcionários trabalhando nesses locais. A mudança na lei vai proteger esses trabalhadores e outros fumantes passivos, que correm sérios riscos de desenvolverem câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias.

Estudo realizado, em 2008, pelo Instituto Nacional do Câncer e o Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ, apontou que, pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano no Brasil por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. A maioria das mortes ocorre entre mulheres (60,3%). Os níveis de fumaça ambientais de tabaco em restaurante chegam a ser duas vezes maiores em restaurantes do que em outros locais de trabalho, como escritórios. Os níveis em bares chegam a ser quase seis vezes maior do que nos escritórios.

As pessoas que não fumam, mas que são submetidas ao tabagismo passivo têm 30% de chance a mais de desenvolver câncer de pulmão e 24% de chance a mais de infarto do coração e doenças cardiovasculares. Pneumonia, sinusite e asma também estão entre as doenças que os fumantes passivos podem ter que enfrentar.

A fumaça que sai da ponta do cigarro contém, em média, o triplo de nicotina e monóxido de carbono, e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.

A política tabagista do Ministério da Saúde apresenta resultados positivos. Estudo divulgado em 2009, o Vigitel, mostrou que o consumo de cigarros entre os jovens brasileiros caiu mais de 50% nos últimos 20 anos. Em 2008, 14,8% dos jovens entre 18 e 24 anos tinham o hábito de fumar, contra 29% em 1989. O índice nacional é de 16,1%. Um dos fatores mais importantes no controle do tabagismo é evitar o início do vício entre adolescentes e jovens. A existência de leis antitabagistas e ações educativas contribuem para que os jovens fumem menos.

TRAMITAÇÃO - Com a aprovação na CCJ do Senado, o projeto segue para avaliação da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). De lá, caso não haja manifestação por parte dos senadores para avaliar em plenário, a matéria segue para apreciação da Câmara dos Deputados. Se receber modificações nessa Casa, volta para análise do Senado.

TABAGISMO NO BRASIL
16,1% dos brasileiros fumam
Queda de 43,4% no consumo de cigarros no Brasil em 20 anos

Entre os jovens, esse índice foi de 50%
10% dos jovens são ex-fumantes
53,9% das pessoas com 65 anos ou mais deixaram de fumar
200 mil pessoas por ano morrem no Brasil por causa do tabagismo

Fumantes passivos têm 30% mais chances de desenvolver câncer de pulmão
24% mais chance de ter infarto e doenças cardiovasculares

Filhos de gestantes que fumam têm o dobro de chance de nascer com baixo peso
70% mais chances de sofrer aborto espontâneo
Possibilidade de morrer ao nascer é 30% maior


Outras informações
Atendimento à Imprensa
(61) 3315 3580 e 3315 2351

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11155


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22:55
10/03/2010

EMPRESAS APOIAM CAMPANHA E VÃO DIVULGAR VACINAÇÃO CONTRA GRIPE A (H1N1)



Cerca de 120 representantes de 87 empresas públicas e privadas estiveram reunidos em Brasília para conhecerem a estratégia de enfrentamento à gripe pandêmica


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, convocou nesta terça-feira (9) empresários dos setores privado e público para ajudarem a divulgar a estratégia nacional de vacinação contra a Gripe A (H1N1). O encontro em Brasília reuniu 120 representantes de 87 empresas públicas e privadas de áreas diversas - alimentos (Sadia, MC Donalds, Carrefour, Coca-Cola, Danone), telefonia (Oi, Claro, TIM, Vivo), instituições financeiras (Caixa Econômica, Banco do Brasil, Bradesco), entre outros.

Além de disseminar informações, distribuindo materiais de esclarecimento sobre a gripe aos seus funcionários, os parceiros da Saúde podem auxiliar na organização da própria vacinação. Uma das sugestões feitas pelo ministro Temporão às empresas e instituições foi que articulassem, com a ajuda das secretarias de saúde, a visita escalonada de seus funcionários que pertencem aos públicos-alvo aos postos de saúde. Com isso, as organizações garantem a imunização de seus trabalhadores e, ao mesmo tempo, evitam o aumento das faltas no trabalho.

“Agradeço profundamente os representantes das empresas aqui reunidas e tenho a certeza que vocês vão fazer diferença nesse processo de divulgação da estratégia de vacinação contra a gripe pandêmica”, ressaltou o ministro. Temporão lembrou que a campanha será um desafio, porque será preciso vacinar 91 milhões de pessoas em três meses. “Vamos proteger grupos diversificados. Toda a família brasileira terá uma pessoa vacinada”, disse o ministro.

Cada representante empresarial recebeu um kit com folder informativo destacando a importância da participação das empresas, CD com as peças da campanha e adesivos. O secretário de comunicação do Ministério da Saúde, Marcier Trombiere, apresentou aos empresários o material de divulgação da campanha para uso livre das organizações. Mostrou exemplos bem sucedidos de parcerias entre governo e setor empresarial na divulgação de outras ações de saúde, tais como a do combate à dengue.
“Essas parcerias são constantes desde 2007. A divulgação com o setor empresarial é uma forma de convocar as pessoas e organizar as demandas de vacinação para os postos de saúde. Queremos que esse calendário de vacinação esteja em todos os lugares”, declarou Trombiere.

Os empresários também conheceram a estratégia de enfrentamento da segunda onda da gripe A, com datas de vacinação e grupos prioritários. A campanha foi apresentada pelo secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, que lembrou a parceria entre o Ministério da Saúde e as empresas na vacinação contra a rubéola, que imunizou 67,2 milhões de pessoas - a maior mobilização já realizada no mundo até então. A gripe A poderá bater esse recorde, com público-alvo de 91 milhões de pessoas.

“O brasileiro é muito criativo. Em outras campanhas, em determinado estado, a secretaria municipal de saúde treinou as equipes de saúde dos ambulatórios das empresas”, exemplificou Penna. “Só a capilizarização que uma organização pode fazer de uma simples frase estimulando no contra-cheque ou no site da empresa alerta o funcionário e o seu trabalhador”, reforçou o secretário.

PESQUISA - O ministro Temporão divulgou ainda pesquisa realizada com 1,3 mil pessoas de 352 cidades brasileiras. Ao todo, 71% responderam acreditar na eficácia da vacina contra a gripe A (H1N1); 83% afirmaram não ter medo da vacina e 84% disseram que gostariam de ser imunizado. A pesquisa indagou ainda sobre a qualidade das informações divulgadas na campanha. De uma nota de 0 a 10, a média de avaliação ficou em 8,56.

O estudo também constatou que 64% dos entrevistados sabem que haverá uma grande campanha de vacinação contra a gripe pandêmica. Temporão alertou para a necessidade de mais pessoas estarem cientes da vacinação. Para isso, conta com a divulgação maciça para a sociedade brasileira.

Temporão destacou ainda a capacidade e a tecnologia brasileira desenvolvidas nos últimos 35 anos para vacinação contra doenças. “Desenvolvemos uma tecnologia que não é expressa em prédios ou em equipamentos”, afirmou. A partir dos anos 1970, disse o ministro, praticamente todos os países da América Latina fecharam suas fábricas de produção de imunobiológicos. “O Brasil fez exatamente o contrário.

Criamos um programa de auto-suficiência, fortalecemos o Instituto Butantã, o Instituto Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, e hoje somos auto-suficientes da maior parte de vacinas para proteção dos brasileiros”, lembrou.

DEPOIMENTOS
“Parabenizo o governo brasileiro por essa decisão e temos certeza que vocês, empresários, farão diferença nessa campanha”
Diego Vitoria, representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) no Brasil

“Vamos fazer a divulgação afixando cartazes nos restaurantes. O Ministério já nos passou o contato das secretarias municipais de saúde para que cada restaurante possa obter o endereço do posto de vacinação mais próximo”
Pedro Palatnik, diretor de Relações Institucionais do MC Donald’s, que possui cerca de 600 lojas no Brasil

“A iniciativa é sensacional e pioneira. Tenho certeza que num curto espaço de tempo, essa iniciativa tornará uma referencia mundial. A parceria é aberta e positiva ao sensibilizar que esse tema é de responsabilidades de o todo mundo”
Juliana Mendes Nunes, diretora de assuntos corporativos da Unilever.

Outras informações
Atendimento à Imprensa
(61) 3315 3580 e 3315 2351


Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11144


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25/02/2010


PRODUÇÃO DE SORO CONTRA PICADAS DE ARANHA-MARROM


Pesquisadores do Butantan, coordenados pela Biologa Denise Vilarinho Tambourgi, diretora técnica do Laboratório de Imunoquímica do Instituto Butantan, desenvolvem processo para facilitar produção de soro contra picadas de aranha-marrom, responsáveis por mais de 5 mil acidentes no país em 2009.

Por Alex Sander Alcântara - Fonte Agencia FAPESB


Agência FAPESP – A aranha-marrom (gênero Loxosceles) é pequena (cerca de 1 centímetro de comprimento) e pouco agressiva. Suas picadas ocorrem geralmente como forma de defesa, quando entram inadvertidamente em roupas ou calçados, por exemplo. Apesar disso, está longe de ser inofensiva.

No ato da picada, na maioria das vezes não há dor. Mas depois de cerca de 12 horas ocorre um inchaço na região afetada e febre. Com o avanço, e sem tratamento, o veneno pode causar necrose do tecido atingido, falência renal e até mesmo morte.

De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, em 2009 foram registrados 85.718 casos de acidentes com animais peçonhentos no Brasil, dos quais 17.474 com aranhas. Dos acidentes com aranhas, os casos envolvendo espécies de aranha-marrom responderam por um terço (5.728) do total.

O Butantan produz um soro para picadas de aranha-marrom, mas há considerável dificuldade para se obter o veneno usado na produção. “Como as aranhas são pequenas, o que se consegue de veneno é pouco. São necessárias centenas de exemplares para se produzir o soro”, disse Denise Vilarinho Tambourgi, diretora técnica do Laboratório de Imunoquímica do Instituto Butantan, à Agência FAPESP.

Pesquisadores do instituto acabam de dar um importante passo para tentar diminuir o problema, ao isolar o gene responsável pela fabricação da toxina esfingomielinase D, principal componente tóxico do veneno da aranha-marrom.

Estudos conduzidos desde 1997 no Butantan haviam conseguido avançar na decifração dos principais componentes do veneno e como ele atua no organismo infectado. Agora, a equipe do Laboratório de Imunoquímica conseguiu inserir um gene da aranha em Escherichia coli, desenvolvendo um processo para a produção, em larga escala, da esfingomielinase D, por meio da bactéria – e não da própria aranha. A novidade poderá facilitar a produção do soro antiloxoscélico, empregado contra o veneno de aranha-marrom.

“Vários resultados mostram que o veneno da aranha-marrom tem um componente central, a esfingomileinase D, responsável pelos principais sintomas clínicos. Com base nisso, conseguimos isolar e introduzir o gene que codifica para essa toxina em bactéria. Para outros venenos, tal processo talvez não seja aplicável, uma vez que os venenos animais são, em geral, misturas complexas contendo várias toxinas, responsáveis pelos sintomas clínicos apresentados nos diferentes envenenamentos”, disse Denise, que atualmente também desenvolve o projeto “Erucismo decorrente do contato com lagartas de Premolis semirufa (Lepidotera, Arctiidae)”, que tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Os soros utilizados atualmente neutralizam as toxinas em circulação no organismo humano, mas não são muito eficazes para tratar lesões na pele – o veneno da aranha-marrom causa, na maioria dos casos, lesão local. “Essa lesão é de difícil resolução e pode levar meses para cicatrizar. Em alguns casos, os pacientes chegam a precisar de implantes”, apontou.

Como a picada da aranha-marrom é indolor e a reação local não se manifesta imediatamente, as vítimas só procuram ajuda quando a lesão na pele está instalada. “A necrose dos tecidos não é mais uma consequência do veneno, mas de uma cascata de reações do próprio organismo, acionadas pelas esfingomielinases D”, explicou Denise.

Fora a lesão local, há também a possibilidade de o paciente desenvolver um quadro sistêmico, que acomete um número menor de pacientes, mas que quando ocorre pode ser extremamente grave, levando inclusive à morte.

“O indivíduo pode ter hemólise intravascular e, em casos muito graves, isso pode causar danos renais e, em última instância, o óbito. Mas os quadros variam de acordo com a espécie e idade de aranha, local da picada ou se foi macho ou fêmea. Há ainda as características da vítima, como características genéticas e nutricionais ou idade. Tudo isso influencia”, disse.

As três espécies de aranhas-marrons (L. gaucho, L. intermedia, L. laeta) estão bem adaptadas ao cenário intradomiciliar. A L. gaucho é mais comum em São Paulo, enquanto as outras duas ocorrem mais no Sul do país, no Paraná e em Santa Catarina, respectivamente. O soro produzido utilizando as esfingomielinases D obtidas por meio da E. coli é eficaz contra o veneno das três espécies.

Testes em humanos

Após isolar o gene responsável pela produção da toxina esfingomielinase D, os pesquisadores do Butantan inseriram anéis de DNA (plasmídeos) com o gene da aranha em bactérias Escherichia coli, que começaram a produzir a toxina.

A esfingomielinase D foi inicialmente administrada em camundongos e coelhos, para a produção de anticorpos que serviriam como matéria-prima do soro. Em seguida, os testes foram feitos em cavalos.

“Isolamos os anticorpos produzidos pelo animal para a produção do soro. Em seguida, comparamos esse soro experimental com o que se utiliza na terapêutica humana e vimos que tal soro era capaz de neutralizar o veneno total”, disse Denise.

No novo processo as bactérias substituem as aranhas para a obtenção das toxinas. Os pesquisadores clonaram, na E. coli, os genes responsáveis pela toxina de duas das espécies de aranha-marrom: a L. intermedia, comum no Paraná, onde ocorre a maior parte dos acidentes no país, e a L. laeta, mais venenosa e presente em vários países latino-americanos.

A próxima etapa da pesquisa é o teste do soro em humanos. Para isso, será necessário produzir três lotes consecutivos de soro antiloxoscélico. “Para a última fase, o ensaio clínico, precisaremos da autorização da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Nossa expectativa é que até o fim do ano esses três lotes de soro estejam prontos”, disse.

Um dos estudos relacionados à aranha-marrom e realizado no âmbito do projeto coordenado por Denise é o de Daniel Manzoni de Almeida, intitulado “Análise do potencial neutralizante de um novo soro antiloxoscélico produzido contra esfingomielinases recombinantes dos venenos de aranhas Loxosceles e que teve apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de Mestrado


Fonte: http://www.cfbio.gov.br/noticias.php?id=99




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19:37
23/02/2010

INVESTIMENTO EM TRANSPLANTES CRESCE 343% EM OITO ANOS



Ministério da Saúde e ABTO anunciam recorde de doações e aumento de 5% no total de cirurgias realizadas entre 2008 e 2009

Dados do Ministério da Saúde divulgados nesta terça-feira (23) revelam que o total de investimentos no setor de transplantes no Brasil teve salto de 343% entre 2002 e 2009. No ano passado, foram investidos R$ 990,51 milhões, em comparação aos R$ 285,94 milhões aplicados em 2002. Em parceria com a ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), também foram divulgados o recorde no número de doações e o aumento de 5% no números de transplantes de órgãos no último ano.

Segundo a coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, Rosana Nothen, o aumento se deve ao processo contínuo de organização do sistema, que permite, por exemplo, que estados mais estruturados sejam compensados ao realizar transplantes de pessoas vindas de outras regiões. “Este aumento deve ser amplamente comemorado. Podemos atribuir este crescimento, entre outros fatores, à forma de financiamento. Os recursos não possuem limite, a sua liberação depende exclusivamente da demanda de produção dos estados”, explicou. Esta modalidade de transferência de recursos garante maior agilidade às ações, já que o pagamento é feito diretamente ao prestador de serviço.

DOADORES - O Brasil registrou em 2009 número recorde de doadores de órgãos. Em número absolutos, foram 1.658 , ou 8,7 doadores por milhão da população (ppm). Isso representa um crescimento de 26% em relação ao ano anterior (7,2 ppm), quando foram apurados 1.317 doadores. Santa Catarina foi o Estado que registrou maior índice de doadores: 19,8 ppm. Seguido por São Paulo (16,9 ppm), Distrito Federal (11,9 ppm) e Rio Grande do Sul (11,3 ppm).

“O crescimento dos doadores está diretamente relacionado à melhoria dos processos de gestão e à qualificação dos trabalhos das Centraisde Transplantes e das Coordenações Hospitalares de Transplantes, que estão adequando os seus trabalhos às diferentes realidades regionais. A logística que permite a doação de órgãos está etnre os processos assistenciais mais complexos de uma instituição”, avaliou Rosana Nothen.

A coordenadora também atribui este desempenho aos cursos de capacitação oferecidos aos profissionais, sobretudo aos de terapia intensiva, e ao sucesso das campanhas publicitárias desenvolvidas pelo Ministério da Saúde.

TRANSPLANTES - O número de transplantes realizados no país, incluindo córneas e medula, teve crescimento de 5%. A produção em 2008 foi de 19.307 e, em 2009, a quantidade de transplantados chegou a 20.253.

O carro-chefe deste crescimento foram os transplantes de rim por doadores falecidos. A quantidade passou de 2.018 em 2008, para 2.532 em 2009, o que representa um aumento de 25,47%. Os transplantes de fígado de pessoas falecidas também apresentaram destaque neste último balanço. A quantidade de pacientes transplantados a partir de fígado de doador falecido cresceu 15,7%. Em 2008, foram realizados 1.048 transplantes desta natureza, já em 2009 a quantidade foi de 1.201.

MEDULA – O Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de doadores de medula tornando-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo. O país fica atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (5 milhões de doadores) e da Alemanha (3 milhões de doadores). De 12 mil doadores em 2000, 40 mil, em 2003, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) evoluiu para mais de 1,3 milhão de doadores inscritos. Dos transplantes de medula realizados em 2000, apenas 10% dos doadores foram brasileiros localizados no Redome. Em 2009, esse percentual passou para 70%.

O crescimento de transplantes de medula entre 2008 e 2009 foi de 4,93%. Em 2008, foram realizados 1.459 transplantes deste gênero. O número em 2009 atingiu 1.531.

Os transplantes de córnea (tecidos) apresentaram leve queda de 1,76% neste último balanço. Em 2008, foram realizados 12.951 contra 12.723 em 2009.


TABELA 1
Gastos com transplantes no Brasil

ANO VALOR
2002 R$ 285,94 mi
2003 R$ 327,85 mi
2004 R$ 409,4 mi
2005 R$ 526,5 mi
2006 R$ 602,9 mi
2007 R$ 713,1 mi
2008 R$ 824,2 mi
2009 R$ 990,51 mi





LISTA DE ESPERA APRESENTA PEQUENA QUEDA

A ista de espera por transplante teve redução de aproximadamente 1% entre dezembro de 2008 e dezembro de 2009. Em 2008, a lista apresentava 64.275 pessoas aguardando por doações, incluindo córneas. Em 2009, este número caiu para 63.866. O aperfeiçoamento dos processos de gestão das centrais estaduais tem participação nesta redução, à medida que as listas têm sido atualizadas e pacientes recadastrados.





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Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11108

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18:02

18/02/2010
EPILEPSIA MAIS COMUM ENTRE IDOSOS


Aumento da expectativa de vida no Brasil deve elevar a frequência da doença nos indivíduos mais velhos

Edição Online -

Em razão do contínuo envelhecimento da população e da perspectiva de ampliação da expectativa de vida dos atuais 72,7 anos para mais de 80 em 2030, “vamos ter cada vez mais epilepsia entre idosos”, afirmou Carlos Guerreiro, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Especializado em epilepsia entre idosos, Guerreiro foi um dos conferencistas da 4ª. Escola Latino-Americana de Verão em Epilepsia (Lasse, na sigla em inglês), que começou dia 1º. de fevereiro em Guarulhos, na Grande São Paulo

Entre idosos, ele alertou, a epilepsia é mais difícil de ser diagnosticada que em adultos ou crianças, por coexistir com doenças cardiovasculares e outras mais comuns com o envelhecimento. E o eletroencefalograma, usado para confirmar o diagnóstico de pessoas mais jovens, nem sempre ajuda. Segundo ele, as crises epilépticas são mais raras que nas outras faixas de idade e os medicamentos usados para conter as crises podem reduzir a eficácia de anti-hipertensivos.

“O erro de diagnóstico é muito comum”, observou Guerreiro. A epilepsia pode passar despercebida porque se manifesta de modos diferentes em bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos, por meio de crises caracterizadas por contrações musculares intensas ou sutis, que tomam todo o corpo ou apenas parte do corpo. Às vezes, em bebês, o único sinal de uma crise epiléptica são movimentos irregulares dos olhos.

Outra pesquisadora dessa área, Marly Albuquerque, professora da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), descreveu os resultados de um grupo de nove adultos portadores de epilepsia resistentes à medicação habitual que receberam doses regulares de ômega-3. Segundo ela, as crises epilépticas se tornaram mais esparsas e todos os participantes do estudo relataram ganhos na qualidade de vida, com mais interação social.

Sob a coordenação geral de Esper Cavalheiro, professor de neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o encontro segue até o dia 10, com apresentações e debates sobre técnicas de diagnóstico, novas possibilidades terapêuticas, que incluem a prática de exercícios físicos e o consumo de compostos ricos em ômega-3, e os desequilíbrios das células nervosas que originam a epilepsia.

Leia mais sobre o Lasse e conheça a programação das palestras.


Fonte: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=6185&bd=2&pg=1&lg=




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09:31

11/02/2010
OFERTA DE ALCOOL EM GEL EM LOCAL PÚBLICO PODERÁ SER OBRITATÓRIA



A Câmara analisa o Projeto de Lei 6638/09, do deputado Pastor Pedro Ribeiro (PR-CE), que torna obrigatória a oferta de álcool em gel em locais de uso coletivo. As características técnicas do produto e o local de instalação dos recipientes serão definidos pelos órgãos responsáveis.

De acordo com o texto, o descumprimento da norma sujeitará os infratores às penas previstas na Lei 6.437/77, que define as infrações relacionadas à legislação sanitária federal. Essa lei prevê sanções como:
- advertência;
- multa;
- interdição parcial ou total do estabelecimento;
- cancelamento do alvará de funcionamento;
- intervenção no estabelecimento que receba recursos públicos de qualquer esfera;
- imposição de mensagem retificadora;
- proibição de propaganda.

No caso de multa, os valores seguem a seguinte escala:
- infrações leves: de R$ 2 mil a R$ 75 mil;
- infrações graves: de R$ 75 mil a R$ 200 mil;
- infrações gravíssimas: de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão.

Em caso de reincidência, as multas são aplicadas em dobro.

Prevenção
Segundo Pastor Pedro Ribeiro, o recente combate ao surto da gripe A (H1N1) mostrou que a instalação de recipientes de álcool em gel em locais públicos é perfeitamente viável.

Ele afirma que, diante disso, "nada mais lógico que tornar essa medida permanente", com o objetivo de melhorar os hábitos de higiene da população e evitar a transmissão de doenças.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
PL-6638/2009

Reportagem - Maria Neves
Edição - Marcelo Oliveira



Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/145201-OFERTA-DE-ALCOOL-EM-GEL-EM-LOCAL-PUBLICO-PODERA-SER-OBRIGATORIA.html




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13:40

10/02/2010
USO DE JALECO FORA DO AMBIENTE HOSPITALAR PODERÁ SER PROIBIDO



A Câmara analisa o Projeto de Lei 6626/09, que proíbe o uso de qualquer equipamento de proteção individual, inclusive jalecos e outras vestimentas especiais, fora do ambiente onde o trabalhador da área de saúde exerça suas atividades. A proibição abrange qualquer tipo de instrumento utilizado no atendimento médico.

De autoria do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), a proposta tem como objetivo combater a infecção hospitalar e a contaminação biológica. Segundo o texto, o infrator da norma, sem prejuízo de outras sanções, deverá ser advertido e multado, sendo o empregador responsabilizado solidariamente. O projeto prevê também, para os trabalhadores da saúde, atividades de conscientização e de educação sobre prevenção de riscos biológicos.

Biossegurança
O autor afirma que o projeto foi elaborado a partir de princípios de biossegurança e será extremamente benéfico para proteger a saúde da população.
Segundo Inocêncio Oliveira, muitos estudos indicam que microorganismos são transportados para pessoas que estão fora do ambiente hospitalar, ambulatorial, odontológico ou laboratorial, por meio de roupas, jalecos e outras peças usadas durante o período de trabalho.

A contaminação, segundo esses estudos, cresce de acordo com o tempo e as características do atendimento e é mais intensa em áreas de contato, como bolsos ou mangas.

"Apesar disto, não é incomum ver profissionais ou estudantes da área de saúde circulando em locais públicos usando jalecos, por vezes estetoscópios ou outros equipamentos de trabalho. É necessário que se enfatize a conscientização dos trabalhadores da saúde quanto à gravidade do risco biológico a que expõem a comunidade ao persistirem neste hábito", adverte Inocêncio.

O parlamentar argumenta que as penas de advertência e multa podem ser eficazes para coibir esse comportamento, sendo necessário também responsabilizar o empregador.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
PL-6626/2009
Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Newton Araújo


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/145155-USO-DE-JALECO-FORA-DO-AMBIENTE-HOSPITALAR-PODERA-SER-PROIBIDO.html



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11:10

10/02/2010
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA PODERÃO TER DIREITO A VACINAÇÃO ESPECIAL



Tramita na Câmara o Projeto de Lei 6619/09, do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que assegura às pessoas com deficiência o acesso às vacinas disponibilizados pelos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (Cries), nas unidades básicas de saúde mais próximas de suas residências.

O direito só será assegurado a essas pessoas se houver indicação médica. A proposta faz referência às deficiências provocadas por fatores genéticos (hereditários ou congênitos) ou paralisia cerebral.

Os Cries, do Ministério da Saúde, são constituídos de infraestrutura e logística adaptados ao atendimento de indivíduos portadores de quadros clínicos especiais, como transplantados, pacientes de Aids ou alérgicos às vacinas tradicionais. São disponibilizadas vacinas contra raiva, gripe, poliomielite, hepatites A e B, varicela (catapora), meningite C, entre outras.

Qualidade de vida
O deputado Eduardo Barbosa lembra que os portadores de deficiência são propensos a contrair doenças contagiosas. "O acesso às vacinas especiais é fundamental para que eles tenham melhor qualidade de vida." Ele destaca que o Brasil ainda possui um número insuficiente de Cries para atender à população - são apenas 39.

"Considerando a extensão continental do País, é possível avaliar as dificuldades que as pessoas com deficiência enfrentam", disse Barbosa. Com o projeto, ele espera garantir o direito dessas pessoas às vacinas especializadas.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

PL-6619/2009
Reportagem - Janary Júnior
Edição - Newton Araújo


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/145154-PESSOAS-COM-DEFICIENCIA-PODERAO-TER-DIREITO-A-VACINACAO-ESPECIAL.html



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15h51
08/02/2010
ENTRE JOVENS EPIDEMIA DE AIDS É MAIS FEMININA E GAY


Na faixa etária de 13 a 19 anos, número de casos é maior entre as mulheres e, dos 20 a 24 anos, divisão por gênero é semelhante. Entre os homens, jovens se infectam mais em relações homossexuais

Os números mais recentes da aids no Brasil mostram que a epidemia, na década de 2000, comporta-se de forma diferente entre os jovens. Na população geral, a maior parte dos casos está entre os homens e, entre eles, a principal forma de transmissão é a heterossexual. Considerando somente a faixa etária dos 13 aos 24 anos, a realidade é outra. Na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos registros da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros. Para os homens dos 13 aos 24 anos, a principal forma de transmissão é a homossexual.

Diversos fatores explicam a maior vulnerabilidade dos jovens para a infecção pelo HIV. Entre as meninas, as relações desiguais de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, incluindo a legitimidade do exercício da sexualidade, são algumas dessas razões.

No caso dos jovens gays, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil do que entre os heterossexuais. “Eles sofrem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV”, explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Como uma resposta a essa realidade, o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulhres fará uma campanha publicitária por ocasião do carnaval, com mensagens dirigidas para esse público. Pela primeira vez, a ação terá dois momentos. No primeiro, veiculado uma semana antes dos dias de folia, as peças tratam do uso da camisinha. Na semana seguinte ao carnaval, outros materiais falarão sobre a importância de se fazer o teste anti-HIV quando se viveu alguma situação de risco.

Para incentivar o uso do preservativo entre os jovens de 16 a 24 anos, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou a Campanha de Prevenção e Enfrentamento da Aids no Carnaval 2010, no sábado, dia 6, na Vila Olímpica da Mangueira, no Rio de Janeiro. Com o slogan "Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre." e tendo como garoto-propaganda um preservativo com a voz da atriz Luana Piovanni, a idéia é estimular o sexo seguro e diminuir as taxas de infecção, principalmente, entre as meninas e homens gays dessa faixa etária durante a folia que invade o país. No Carnaval 2010, serão distribuídos gratuitamente 55 milhões de preservativos em todo o Brasil.

“A campanha usa mensagem bem didática, para mostrar que o preservativo é uma maneira importante eficaz e segura de impedir a transmissão desta e de outras doenças sexualmente transmissíveis e também evitar uma gravidez indesejada. Principalmente no carnaval, onde lidamos com esta questão: uma mistura de desejo e brincadeira”, ressaltou o Ministro, lembrando que pela primeira vez a campanha também falará sobre a importância de se fazer o teste anti-HIV.

Esta etapa será veiculada a partir de Quarta-feira de Cinzas, e focada no público que não usou camisinha durante os festejos e que poderá recorrer ao teste anti-HIV. “É um teste rápido disponível para quem quiser fazer. Está garantida a confidencialidade e a preservação da individualidade. O principal objetivo é possibilitar que a pessoa saiba se está contaminada e como se deve tratar”, esclareceu Temporão.

Veja como foi o lançamento da campanha

Conheça o hotsite da campanha: www.usesempre.com.br

Desde 2000, essa é a décima vez que os jovens são tema de campanhas de massa desenvolvidas pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Há também ações dirigidas para esse público em atividades específicas, como as paradas gays, carnavais fora de época e outras festas populares com grande participação dessa faixa etária.

Feminização – O aumento de casos de aids entre as mulheres se deu em todas as faixas etárias. Em 1986, a razão era de 15 casos de aids em homens para cada caso em mulheres, e a partir de 2002, a razão de sexo estabilizou-se em 15 casos em homens para cada 10 em mulheres. Na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de aids é maior entre as mulheres jovens. A inversão apresenta-se desde 1998, com oito casos em meninos para cada 10 casos em meninas.

Entre 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil 3.713 casos de aids em meninas de 13 a 19 anos (60% do total), contra 2.448 meninos. Na faixa etária seguinte (20 a 24 anos), há 13.083 (50%) casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo com 25 anos e mais, há uma clara inversão – 174.070 (60%) do total (280.557) de casos são entre os homens.

A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, também ajuda a explicar a vulnerabilidade das jovens à infecção pelo HIV. De acordo com o estudo, 64,8% das entrevistadas entre 15 e 24 anos eram sexualmente ativas (haviam tido relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa). Dessas apenas 33,6% usaram preservativos em todas as relações casuais, as que apresentam maior risco de infecção.

Nos homens, 69,7% dos entrevistados eram sexualmente ativos. Entre eles, porém, o uso da camisinha é maior: 57,4% afirmaram ter usado em todas as relações com parceiros ou parceiras casuais.

Gays – Na faixa etária de 13 a 19 anos, entre os meninos há mais casos de aids por transmissão homossexual (39,2%) do que heterossexual (22,2%), no ano de 2007. Essa tendência é diferente do que ocorre quando se observa todos os casos de aids adquiridos por transmissão entre homens – 27,4% homossexual e 45,1% heterossexual.

Nas escolas – O carro-chefe das ações de prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis é o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), uma iniciativa dos ministérios da Saúde e da Educação. Criado em 2003, o SPE tem como objetivo central desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens. As ações se dão de forma articulada entre escolas e unidades básicas de saúde. Hoje, 50.214 escolas de todo o país participam do programa.

A iniciativa trabalha a inclusão, na educação de jovens das escolas públicas, dos temas saúde reprodutiva e sexual. O SPE reúne ações que envolvem a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24 anos), professores, diretores de escolas, pais dos alunos, e gestores municipais e estaduais de saúde e educação. É no âmbito deste programa que se disponibiliza preservativos nas escolas.


Mais informações
Atendimento à imprensa
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
Tel: (61) 9221-2546/3306 7051/ 7033/ 7010/ 7016/
Site: www.aids.gov.br - E-mail: imprensa@aids.gov.br

Atendimento ao cidadão
0800 61 1997 e (61) 3315 2425

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11093



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03/02/2010 , às 18:08

MINISTÉRIO DA SAÚDE INVESTE R$ 39,1 MILHÕES EM SERVIÇO PARA PESSOAS COM CEGUEIRA E BAIXA VISÃO


O recurso será para implantar unidades de reabilitação visual, que tratarão pacientes desde o diagnóstico ao fornecimento de recursos ópticos de reabilitação

Os brasileiros com baixa visão ou cegueira vão contar com novo serviço no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde liberou recurso de R$ 1,9 milhão para implementar as primeiras cinco unidades de reabilitação visual do país, que vão atender, em média, 7,5 mil pessoas por ano. Serão 75 unidades no país distribuídas em todos os estados, até 2011, um investimento de R$ 39,1 milhões. Essas unidades terão o papel de acompanhar a pessoa com deficiência visual para que ela desenvolva habilidades que a auxilie em suas atividades diárias. O acompanhamento especializado também vai permitir a adaptação delas aos recursos ópticos fornecidos no SUS, como óculos especiais, sistemas telescópicos, lupas, próteses visuais e bengalas.

Outra novidade no tratamento da pessoa com deficiência visual é a ampliação da oferta de equipamentos para auxiliar na reabilitação visual, que passou de 4 para 10 tipos (veja lista abaixo). Agora, o SUS vai fornecer óculos com lentes filtrantes para controle da iluminação. Esse recurso óptico evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina, no caso de albinos, por exemplo. Também serão financiados sistemas telescópicos monoculares e binoculares, utilizados para ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas. Também foram incluídos dois tipos de lupa, uma manual com ou sem iluminação e uma de apoio (para pessoas que têm tremores nas mãos), com ou sem iluminação. Antes, era fornecida um tipo de lupa, a comum.

As primeiras unidades estão localizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro (veja lista abaixo). São hospitais, associações, institutos ou clínicas que já fornecem algum tipo de serviço em oftalmologia, mas receberão recursos para oferecer a reabilitação visual. Eles passarão a ser credenciados ao SUS. O investimento vai custear avaliação e acompanhamento oftalmológicos, tratamento terapêutico especializado, acompanhamento com equipe multiprofissional para a reabilitação do paciente e a concessão dos onze recursos ópticos, dos quais sete são novos.

O usuário será acompanhado por oftalmologistas, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais e técnicos em orientação e mobilidade. A atenção especializada e integral a essas pessoas é uma novidade na rede pública de saúde. Com o novo serviço, um deficiente visual que é atendido em ambulatórios de oftalmologia receberá o diagnóstico de baixa visão ou cegueira e poderá ser encaminhado para uma unidade de reabilitação.

“O serviço é um avanço na implantação da Política Nacional de Saúde para Pessoa com Deficiência. Nele será oferecido o atendimento necessário para que a pessoa com baixa visão ou cegueira desenvolva suas potencialidades e enfrente com maior autonomia as dificuldades no seu dia-a-dia”, afirma Érika Pisaneschi, coordenadora da Área Técnica Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde.

Uma pessoa que fica cega, por exemplo, pode adquirir habilidades para caminhar na rua e movimentar-se em casa com maior autonomia. Pacientes com baixa visão muitas vezes não sabem utilizar os recursos ópticos com destreza. A adaptação aos equipamentos faz parte do processo de reabilitação que irá, por exemplo, orientá-lo a focar melhor seu campo visual. Há aqueles, ainda, que não aceitam sua nova condição e resistem o uso dos recursos ópticos. O trabalho do psicólogo, neste caso, será crucial para conscientizá-lo da importância do uso dos equipamentos para melhor qualidade de vida.

As outras unidades serão implantadas no país conforme adesão dos estados e municípios, que devem identificar nas cidades as unidades capazes de oferecer o serviço e encaminhar processo de habilitação do serviço ao Ministério da Saúde.

ESTATÍSTICA – De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, a prevalência de cegueira na população é de 0,3% e de baixa visão, 1,7%, A pessoa com baixa visão é aquela que mesmo após tratamentos ou correção óptica apresenta diminuição considerável de sua função visual. A maior parte da população considerada cega tem, na verdade, baixa visão e é, a princípio, capaz de usar sua visão para realizar tarefas. Para cada pessoa cega há em média, 3 ou 4 com baixa visão. Já o paciente com cegueira é aquele que perde totalmente a visão por diversas causas, que vão desde traumas oculares até doenças congênitas.
A prevalência de doenças oculares que levam ao comprometimento da visão cresce com o avanço da idade. As taxas maiores de cegueira e baixa visão são observadas com o aumento da vida média da população. Na população com mais de cinqüenta anos de idade as principais causas de cegueira são: catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular (perda da visão no centro do campo visual, a mácula) relacionada a idade.

POLÍTICA NACIONAL – A Política Nacional da Pessoa com Deficiência criada pelo Ministério da Saúde busca proteger a saúde e reabilitar a pessoa com deficiência. Os recursos para a política tiveram acréscimo de R$ 115 milhões em 2009, sendo que R$ 75,5 milhões já foram repassados aos municípios. Os 39,1 milhões restantes serão destinados a implantação dos serviços de reabilitação visual.

De 2002 a 2009, foram implantadas 53 unidades em reabilitação física, totalizando 156 existentes no país. Hoje o país já conta com 142 unidades de saúde auditiva, implantadas a partir de 2004. Essas unidades, que promovem a reabilitação e a aquisição de órteses e próteses para pessoas com deficiência física ou deficiência auditiva atendem entre 280 a 300 mil pessoas por ano.

A redução da fila de espera por órteses e próteses e a melhora na qualidade do atendimento a pessoas com deficiência é uma das metas do programa Mais Saúde do Ministério e da Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência do Governo Federal. Lançada em 2007 (Decreto 6.215 de set/07), a Agenda tem o objetivo de promover maior cobertura das ações para os 14,5% da população que possuem algum tipo de deficiência.



Novos recursos ópticos a serem oferecidos no SUS

- Óculos com lentes esferoprismáticas: serve para aproximar a visão de objetos em uma distância mais próxima.
- Óculos com lentes asféricas positivas: serve para enxergar objetos de forma tanto mais próxima quanto mais distante.
- Lupa manual com ou sem iluminação: utilizada para leitura e ampliação de imagens.
- Lupa de apoio com ou sem iluminação: também é usada para leituras e para ter uma visão mais de perto. A diferença é que serve para pessoas que têm tremor ao segurar objetos e/ou dificuldades de sustentar um objeto com as mãos.
- Sistema Telescópico manual monocular com foco ajustável: é um mini telescópio monocular que serve para visualizar objetos a distância. É ajustável para ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas.
- Sistema Telescópico manual binocular com foco ajustável: utilizado para aproximar a visão. É montado para evitar a movimentação e fixar melhor a imagem.
- Óculos com lentes filtrantes: utilizadas para controle da iluminação, para diminuir o desconforto visual, diminuir o ofuscamento, aumentar o contraste e a resolução da imagem. Evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina como no caso das pessoas com albinismo.

Outras informações:
Ministério da Saúde
Assessoria de Imprensa
(61) 3315 3580
jornalismo@saude.gov.br


Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11086



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01/02/2010 , às 11h08

SUS OFERECE DUAS NOVAS VACINAS PARA SEIS MILHÕES DE CRIANÇAS


Duas novas vacinas serão incluídas no calendário básico de vacinação disponível na rede pública de saúde: a pneumocócica 10-valente e a anti-meningococo C. A primeira será oferecida a partir de março em todo o território nacional e protege contra a bactéria pneumococo, causadora de meningites e pneumonias pneumocócicas, sinusite, inflamação no ouvido e bacteremia (presença de bactérias no sangue), entre outras doenças. A segunda será aplicada a partir de agosto e imuniza contra a doença meningocócica.

Nos primeiros 12 meses após a implementação, as novas vacinas serão aplicadas em crianças menores de dois anos de idade. A partir de 2011, elas farão parte do calendário básico de vacinação da criança específico para os menores de um ano. Depois de cinco anos do início dos novos programas de vacinação, em 2015, a previsão é sejam evitadas cerca de 45 mil internações por pneumonia por ano em todo o Brasil. Com isso, a média dessas internações por ano cairá de 54.427 para 9.185, uma redução de 83%.

“As inclusões das vacinas são um grande avanço para a saúde pública brasileira. Os imunizantes vão proteger a população contra doenças de grande e vão contribuir para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria da qualidade de vida do brasileiro”, afirma o diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério, Eduardo Hage.

DOENÇAS– Principal causa de meningite bacteriana no Brasil, a doença meningocócica pode se manifestar como uma inflamação nas membranas que revestem o cérebro (meningite) ou como uma infecção generalizada (meningococcemia), que pode levar rapidamente à morte. Entre 2000 e 2008, o número de casos da doença caiu de 4.276 para 2.648, uma redução de 38% (veja quadro abaixo). No mesmo período, o número de mortes por essa enfermidade caiu 47%, de 777 para 412. Essa redução pode ser atribuída à menor circulação do meningococo do sorogrupo B, uma vez que, entre 2001 e 2009, os 20 surtos de doença meningocócica no país tiveram como responsável o meningococo C.

O pneumococo, por sua vez, é a segunda maior causa de meningites bacterianas (pneumocócicas) no Brasil. Entre 2000 e 2008, manteve-se a média anual de 1.250 casos de meningite pneumocócica e de 370 óbitos por ano (veja quadro abaixo). O pneumococo também é o principal agente causador de pneumonias em todas as faixas etárias. O número de internações no SUS por essa doença caiu de 950.162, em 2000, para 695.622, em 2008 – redução de 26,8%.

INVESTIMENTO –Para a aquisição das duas vacinas em 2010, o Ministério da Saúde investirá R$ 552 milhões. Desse total, R$ 400 milhões serão destinados para 13 milhões de doses da vacina pneumocócica e R$ 152 milhões para 8 milhões de doses da meningocócica. As doses são suficientes para imunizar 6 milhões de crianças menores de dois anos de idade. O Ministério também vai comprar diretamente 13 milhões de seringas e agulhas, com investimento de R$ 1,4 milhão, para a aplicação da vacina pneumocócica.

Com o investimento, o Ministério alcança a meta do Programa Mais Saúde de introduzir duas novas imunizações no calendário básico, um ano antes da data prevista, 2011.

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA – O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, explica que as vacinas serão adquiridas diretamente de laboratórios nacionais. A pneumocócica será comprada do Laboratório Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), graças a um acordo de transferência de tecnologia assinado entre o Ministério e o laboratório inglês Glaxo Smith Kline (GSK) no ano passado.

Já um acordo de transferência de tecnologia firmado também em 2009 entre a Fundação Ezequiel Dias (Funed), o governo de Minas Gerais, e a companhia farmacêutica suíça Novartis permitirá a compra da vacina pneumocócica diretamente da Funed. “Isso demonstra a vontade do SUS de aprimorar as ferramentas de prevenção e tratamento a serviço da população. São vacinas modernas e é muito importante que os laboratórios nacionais dominem essa tecnologia”, avalia o secretário.

Além desses contratos de transferência de tecnologia, nos últimos cinco anos, o Brasil começou a produzir vacina contra a gripe sazonal, contra o rotavírus humano e a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba). Essas três vacinas responderam por 28,6% da produção nacional em 2008.

CALENDÁRIO BÁSICO – Com a introdução das vacinas, o Calendário Básico de Vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério passará a ter 13 tipos de vacinas para proteger contra 19 doenças (veja quadro abaixo). Além disso, a oferta total do PNI, considerando as imunizações especiais, passa a ser de 28 tipos de vacinas (nacionais e importadas). O número é 30% maior que em 2002, quando eram oferecidos 18 tipos. O crescimento deve-se principalmente ao investimento do país para desenvolver novas vacinas e ao aumento da capacidade de produção nos últimos anos.

Para se ter ideia, o investimento brasileiro em pesquisas para o desenvolvimento e aprimoramento de vacinas aumentou mais de 1.216% em cinco anos. Em 2003, o governo federal investiu R$ 1,6 bilhão em estudos na área. Esse número saltou para R$ 21 bilhões em 2008. São recursos do Ministério da Saúde, com contrapartida de órgãos do governo de fomento à pesquisa – como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), UNESCO e fundações estaduais de apoio à pesquisa.

Novo Calendário Básico de Vacinação depois da inclusão da pneumocócica 10-valente e anti-meningococo C

1. BCG (contra tuberculose)

2. Vacina contra hepatite B

3. DTP (contra difteria, tétano e coqueluche)

4. DTP+Hib (contra difteria, tétano e coqueluche e infecções por Haemophilus influenzae tipo B )

5. DT (dupla adulto – contra difteria e tétano)

6. Vacina Hib (infecções por Haemophilus influenzae tipo B)

7. Vacina contra poliomielite

8. Vacina contra rotavírus

9. Vacina contra febre amarela

10. Tríplice viral (contra caxumba, rubéola e sarampo)

11. Vacina contra Influenza (gripe)

12. Vacina Pneumocócica (contra meningites bacterianas, pneumonias, sinusite, inflamação no ouvido e bacteremia)

13. Vacina anti-meningocócica (contra doença meningocócica)


ESQUEMA BÁSICO DE VACINAÇÃO

Pneumocócica 10-valente
Crianças menores de 1 ano.
Esquema Vacinal: Serão ministradas 3 doses + 1 reforço no primeiro ano de vida da criança. Para o ano da implantação, haverá um esquema especial, no qual crianças de 12 meses a 24 meses de idade não vacinadas anteriormente receberão a imunização.

Meningocócica C
Crianças menores de 1 ano.
Esquema Vacinal: Serão ministradas 2 doses + 1 reforço no primeiro ano de vida da criança. Para o ano da implantação, haverá um esquema especial, no qual crianças de 12 meses a 24 meses de idade não vacinadas anteriormente receberão a imunização.


Fonte: www.saude.gov.br




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28/01/2010 , às 17h05
VACINAÇÃO SERÁ FEITA EM ETAPAS


A primeira fase da vacinação contra a nova gripe vai ocorrer de 8 a 19 de março. Nessa fase, serão imunizados os trabalhadores da rede de atenção à saúde e profissionais envolvidos na resposta à pandemia e a população indígena. Entre os trabalhadores, estão médicos, enfermeiros, recepcionistas, pessoal de limpeza e segurança, motoristas de ambulância, equipes de laboratório e profissionais que atuam na investigação epidemiológica. A vacinação dos indígenas abrangerá a totalidade da população que vive em aldeias e será realizada em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

A segunda etapa, entre 22 de março e 2 de abril, abrangerá grávidas em qualquer período de gestação, pessoas com problemas crônicos (exceto idosos, que serão chamados posteriormente) e crianças de seis meses a dois anos. Na lista, entram doenças do coração, pulmão, fígado, rins e sangue; diabéticos, pessoas com debilitação do sistema imunológico e obesos grau 3 - os antigos obesos mórbidos (veja lista completa abaixo). As gestantes começam a ser imunizadas nesse período e poderão tomar a vacina em qualquer outra etapa.

As crianças de 6 meses a 2 anos devem receber meia dose da vacina e, depois de 21 dias, poderão tomar a outra meia dose.

Adultos de 20 a 29 anos são o público-alvo da terceira fase, que vai de 5 a 23 de abril. A quarta e última etapa, de 24 de abril a 7 de maio, coincide com a campanha anual de vacinação contra a gripe comum. Nesse período, os idosos serão imunizados para a influenza sazonal, como todos os anos. Se tiverem doenças crônicas, receberão também a vacina contra a gripe pandêmica. A estratégia foi elaborada de forma que a população dessa faixa etária se dirija aos locais de vacinação apenas uma vez.

Estarão disponíveis 22,3 milhões de doses de vacina contra gripe comum para imunizar 19 milhões de idosos. Juntamente com os 62 milhões de pessoas que devem tomar a vacina contra a gripe pandêmica, a população imunizada para influenza no Brasil em 2010 chegará a 81 milhões de pessoas.

Se houver alterações na situação epidemiológica e disponibilidade da vacina, outros grupos poderão ser vacinados numa quinta etapa da estratégia de imunização.





DOENÇAS CRÔNICAS PARA VACINAÇÃO
Segunda etapa – De 22 de março a 2 de abril
• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular);
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que debilitam o sistema imunológico);
• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral);
• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias);
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);
• Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensão arterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular).

Outras informações
Atendimento à Imprensa
(61) 3315 3580 e 3315 2351

Fonte:http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=1450&CO_NOTICIA=11069




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ÁGUA QUE ATRAI MOSQUITO


Estudo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontou uma relação direta entre a composição físico-química da água e a infestação por larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
O trabalho foi realizado entre julho e agosto de 2009 em Potim, município do Vale do Paraíba onde foi constatado o maior Índice de Breteau (valor que define a quantidade de insetos em fase de desenvolvimento encontrada nas habitações humanas) no Estado de São Paulo.
Pesquisadores da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão da Secretaria responsável pelo auxílio aos municípios no trabalho de controle da dengue, ficaram intrigados pelo fato de que as ações de combate ao mosquito não estavam surtindo o efeito desejado e que a infestação permanecia alta, chegando a atingir 25,85 em 2003 e 19,2 na última medição feita pelo município. O índice recomendado é inferior a 1.
Além disso, foi detectado que as caixas d’água das residências de Potim, abastecidas pela prefeitura local por meio de coleta de água em poços profundos, que recebe cloração e fluoração, apresentavam altos índices de positividade em relação à presença de larvas do Aedes aegypti, enquanto nas moradias que usavam água de poços rasos ou cacimbas esse problema não existia.
Para desvendar o mistério, os pesquisadores realizaram um experimento em laboratório usando três gaiolas com 50 fêmeas e 100 machos do Aedes aegypti. Colocaram, em cada uma delas, recipientes com 100 ml de água coletada em Potim e em Taubaté, além de água destilada, utilizada como controle. Os recipientes foram mudados de local em sentido horário durante 31 dias e as soluções de água trocadas a cada 24 horas. Além disso, foram realizados exames semanais de análise físico-química das amostras de água coletada.
Os resultados apontaram que, durante o período de um mês, foram depositados pelo mosquito 3,6 vezes mais ovos nos recipientes com água de Potim do que na de Taubaté e 3,2 vezes mais em relação ao recipiente de controle. Enquanto a água de Potim apresentou índice de atividade de oviposição de 0,54, a de Taubaté registrou índice negativo de -0,03.
Na análise físico-química, a concentração de nitrogênio amoniacal da água de Potim ficou em 1,93 mg/l (o máximo permitido em portaria do Ministério da Saúde é 1,5 mg/l), enquanto a de Taubaté foi inferior a 0,03 mg/l.
“O estudo indicou que a alta concentração de nitrogênio amoniacal atraiu o Aedes aegypti para a oviposição. A volatilização dessa substância provavelmente foi o atrativo químico responsável pela orientação do voo das fêmeas grávidas em direção aos recipientes onde colocaram seus ovos”, disse Gisela Rita Alvarenga Marques, Bióloga pesquisadora da Sucen responsável pelo estudo.
Segundo ela, o resultado da pesquisa aponta a necessidade de os municípios com captação de água de poços profundos mudarem a forma de abastecimento por intermédio da implantação de estações de tratamento de água de superfície, visando a oferecer água de melhor qualidade para a população e reduzindo os riscos de proliferação do mosquito transmissor da dengue.

Mais informações: www.saude.sp.gov.br

Fonte: http://www.cfbio.gov.br/noticias.php?id=93


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PLANTAS CONTRA TUBERCULOSE


6/1/2010
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – A tuberculose figura no rol das chamadas doenças negligenciadas, ainda que um terço da população mundial esteja infectada pelo bacilo de Koch, seu agente causador, e que a doença mate quase 2 milhões de pessoas anualmente.
Após mais de 50 anos sem o surgimento de novas drogas contra a tuberculose, uma substância extraída do óleo da copaíba (Copaifera sp), planta originária da Amazônia, poderá vir a ser a base de um fitomedicamento a ser usado no tratamento da doença.
O princípio ativo, identificado e isolado, mostrou ser eficaz e apresentou atividade antibacteriana em testes in vitro – feitos em macrófagos (células que fagocitam elementos estranhos ao corpo) infectados – e in vivo, em camundongos.
O estudo, conduzido pela equipe de Maria das Graças Henriques, do Laboratório de Farmacologia Aplicada do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz, encontra-se na etapa chamada de toxicologia aguda. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores do Departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.
Reconhecida como planta medicinal, a copaíba começou a ser pesquisada por sua ação anti-inflamatória. “Isolamos um dos princípios presentes e vimos que ele tinha atividade contra a tuberculose. Fizemos isso por curiosidade, uma vez que estávamos pensando no processo inflamatório da tuberculose”, contou a pesquisadora.
A partir daí, o grupo passou a investigar se a substância mataria a bactéria causadora da doença. “Vimos que sim”, contou Maria das Graças. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores administraram doses por via oral da substância em camundongos e coletaram o material do pulmão dos animais para então fazer um teste bacteriológico.
A equipe pretende, até o fim de 2010, finalizar o dossiê pré-clinico e, então, pedir autorização para começar os testes em humanos, divididos em fase 1 (em torno de 20 voluntários sadios), fase 2 (pacientes geralmente adultos jovens) e fase 3 (testes em centros médicos).
O problema é a resistência existente em relação a fitoterápicos no tratamento da tuberculose. “Tem de haver um controle rígido da matéria-prima. Pode haver mudança na quantidade de matéria-prima presente em cada planta. Muitas vezes, a quantidade da substância que encontramos em uma planta de uma determinada região não é a mesma que encontramos em outra região. As condições climáticas e do ambiente influem e por isso nem se pensa em fitoterápicos para tratamento da tuberculose”, explicou a pesquisadora.
Ela lembra que medicamentos para a tuberculose têm que ser baratos, já que a doença atinge principalmente a população de baixa renda. No Brasil, o controle é feito pelo governo federal, que distribui medicamentos gratuitamente pela rede pública.
A saída para driblar os obstáculos e tornar o medicamento economicamente viável seria encontrar uma maneira de isolar a substância ativa ou de sintetizá-la. “Fitomedicamentos são usados para o câncer, por exemplo, mas são caros. Para a tuberculose, a situação tem que ser diferente, mesmo porque até os testes clínicos são mais difíceis de serem feitos no caso dessa doença, já que temos que rastrear o paciente por meses”, disse Maria das Graças.
“Financiar a parte clínica exige alto investimento, infraestrutura e grande conhecimento técnico”, ressaltou. Por estar um pouco mais adiantada em termos de viabilidade, uma outra substância vem sendo pesquisada por sua equipe, também visando ao tratamento da tuberculose: a chalmugra.
Utilizada na primeira metade do século 20 contra a hanseníase – doença provocada por bactérias da mesma família do bacilo de Koch – a chalmugra, planta da Mata Atlântica, apresentou atividade antibacteriana promissora nos testes realizados.
“Começamos a trabalhar com a chalmugra (Carpotroche brasiliensis) em um resgate histórico e confirmamos sua ação antibacteriana”, disse a bióloga Fátima Vergara, integrante da equipe responsável pelos estudos

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11585/especiais/plantas-contra-tuberculose.htm